
Os estoques dos bancos de leite humano sofreram uma redução média de 30% em todo o país devido à proximidade do inverno e ao aumento das viroses respiratórias. A queda mobiliza especialistas para conscientizar mães sobre a importância da doação do alimento.
A médica pediatra Lilian Ferreira Shikasho, professora do Centro Universitário Integrado, explica que apenas um mililitro de leite é suficiente para nutrir um bebê vulnerável em uma UTI. Além disso, um litro do alimento pode atender até dez recém-nascidos diariamente.
Segundo a Rede Global de Bancos de Leite Humano da Fiocruz, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras por ano no Brasil e dependem das doações. O leite materno protege contra doenças, evita alergias e problemas gastrointestinais graves nos bebês.
A extração do excesso também traz vantagens para a própria mãe. O esvaziamento adequado das mamas estimula a produção contínua e estável, alivia o ingurgitamento mamário e previne processos inflamatórios e infecciosos graves, como a mastite.
O cirurgião-dentista Manuel da Fonseca Rodrigues, também professor da instituição, acrescenta que o alimento promove o desenvolvimento harmonioso da face, dos ossos e dos músculos orais. O processo estimula as funções corretas de sucção, deglutição e respiração.
O Brasil conta atualmente com 239 bancos de leite em funcionamento, sendo 40 deles localizados na Região Sul. Na região de Campo Mourão, a referência para o atendimento é o Banco de Leite Humano do Hospital Santa Casa de Misericórdia.
As lactantes de municípios vizinhos podem se cadastrar com a equipe de saúde local para receber suporte logístico, que inclui a coleta agendada em domicílio. Todo o material doado passa por triagem, análise e pasteurização antes da distribuição.
A extração pode ser feita em casa seguindo regras de higiene, como o uso de frascos de vidro esterilizados com tampas de plástico. O leite congelado deve ser transportado a um banco de leite em até 15 dias após a primeira coleta.
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