
Entidades de jornalismo do Paraná e do país, o poder público e veículos de comunicação de várias regiões do estado manifestaram repúdio às ameaças de morte contra o jornalista Jadir Zimmermann, diretor de conteúdo do Jornal e Portal Preto no Branco.
As manifestações foram divulgadas entre segunda-feira (13) e terça-feira (14) e cobram investigação, responsabilização dos envolvidos e proteção ao profissional. As ameaças ocorreram após a publicação de reportagem sobre processos judiciais e denúncias envolvendo a incorporadora Haag & Schug Ltda.
O Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado do Paraná (SINDEJOR-PR) repudiou o que classificou como graves ameaças de morte direcionadas ao jornalista, motivadas estritamente pelo cumprimento do dever profissional. Para o sindicato, divergências sobre linha editorial ou conteúdo jornalístico jamais podem servir de pretexto para intimidações, atos de coação ou qualquer tipo de violência contra comunicadores. A entidade expressou solidariedade ao jornalista, à equipe do veículo e aos familiares e reiterou o compromisso com o livre exercício da profissão.

A Associação dos Jornais e Portais do Paraná (ADIPR) seguiu a mesma linha. Em nota, afirmou que a liberdade de imprensa é um direito assegurado pela Constituição Federal e um dos pilares da democracia. A associação disse confiar na atuação das autoridades competentes para a rápida apuração dos fatos, com a responsabilização dos envolvidos e a proteção ao profissional.

A Associação Paranaense de Imprensa (API), entidade mais antiga de jornalismo do Paraná, considerou inaceitável que profissionais e veículos sejam alvo de intimidações por divulgarem informações de interesse público. A API cobrou rigor na apuração do caso e defendeu que, confirmadas as ameaças e identificados os responsáveis, sejam aplicadas as medidas legais cabíveis. A entidade lembrou que Zimmermann é formado em jornalismo desde 2006, com atuação como repórter, redator e editor em jornais, emissora de TV e site de notícias.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota na terça-feira (14). Segundo a entidade, a reportagem que motivou as ameaças revelou processos judiciais e denúncias contra a incorporadora Haag & Schug Ltda, dos sócios Pedro Haag e Jonatan Schug, alvo de reclamações pela prorrogação na entrega de imóveis comprados na planta, investigações de obras fantasmas e outras polêmicas ligadas ao colapso da empresa.
Ainda segundo a entidade, todos os envolvidos foram ouvidos para a reportagem e as informações foram apuradas em processos e documentos oficiais. A associação pediu que as autoridades investiguem os fatos e garantam a segurança do profissional. Para a Abraji, o episódio revela o alto risco de reportar fatos de interesse público no país e o agravamento dessa insegurança com a impunidade.
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Toledo publicou na segunda-feira (13) ofício assinado pelo secretário Márcio Bertolin Pimentel. O documento afirma que toda forma de intimidação ou violência contra profissionais da imprensa representa um grave atentado ao Estado Democrático de Direito e à liberdade de expressão. Para a Secom, a tentativa de silenciar profissionais sérios por meio de ameaças é inaceitável e deve ser repudiada por toda a sociedade. O texto expressa solidariedade ao jornalista, aos familiares, aos colegas de profissão e a toda a equipe do Preto no Branco.

O vereador João Diego usou a tribuna da Câmara de Cascavel para manifestar repúdio às ameaças. Jornalista por formação, o parlamentar afirmou que é legítimo discordar de informações publicadas, questionar e pedir direito de resposta pelos meios legais. "O que jamais podemos aceitar é que divergências sejam respondidas com ameaças, intimidação e violência", declarou. Para o vereador, quando um profissional é ameaçado por exercer a profissão, é o direito da população de ser informada que está sendo ameaçado.
O Jornal do Oeste, de Toledo, publicou editorial na terça-feira (14) com o título "Silenciar a imprensa é cegar a sociedade". O texto endossa a nota da ADIPR, classifica como exemplar a reação do jornalista, que registrou boletim de ocorrência na Delegacia Regional de Polícia de Marechal Cândido Rondon e buscou amparo jurídico para medidas protetivas, e afirma que ameaçar um jornalista com o cemitério por expor obras abandonadas e suspeitas de fraude é a evidência de que a reportagem tocou na ferida correta.
O caso também foi noticiado por veículos de várias regiões do Paraná, entre eles Folha de Londrina, Bem Paraná, Folha do Litoral, Maringá Post, Grupo Verde Vale, Fronteira Livre, Diário do Sudoeste, Correio do Povo e Jornal de Beltrão.