
O Sistema FAEP promoveu, entre junho e agosto, uma série de encontros para orientar produtores rurais e profissionais do setor sobre as mudanças provocadas pela Reforma Tributária. O Seminário Cidadania Rural 2026 passou por 11 cidades do Paraná e reuniu 914 participantes.
A programação ocorreu em Pato Branco, Umuarama, Campo Mourão, Maringá, Ibiporã, Cambará, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Curitiba. Entre os participantes estavam produtores rurais, contadores, profissionais de recursos humanos e representantes de cooperativas, sindicatos rurais e entidades de classe.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o momento exige organização por parte dos produtores, mesmo com regras da nova legislação ainda em definição.
“O produtor rural precisa se organizar, mesmo sem todas as regras definidas. Quanto mais informação e orientação tiver hoje, menor o risco de pagar mais imposto lá na frente”, afirmou.
Os encontros tiveram palestras sobre Reforma Tributária, Imposto de Renda, Nota Fiscal Eletrônica do Produtor Rural e atualizações na Legislação Previdenciária.
Participaram das atividades o advogado tributarista Marco Antonio Berberi, o representante da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) Renato Conchon, o auditor-chefe da Receita Estadual, Lhugo Tanaka Junior, e os auditores da Receita Federal Alberto Rangel e Paulo Furtado.
O contador Valdecir Mokwa também participou da programação, com orientações relacionadas ao Imposto de Renda.
A mobilização foi dividida em duas etapas. A primeira reuniu 332 diretores e colaboradores de sindicatos rurais, com o objetivo de preparar as lideranças para orientar e prestar assessoria aos produtores.
Essa etapa ocorreu nas 11 cidades. A segunda reuniu 582 participantes, entre produtores rurais, contadores, profissionais de recursos humanos e representantes de entidades de classe, nas mesmas cidades, com exceção de Curitiba.
De acordo com Eleutério Czornei, técnico do Departamento Jurídico (Dejur) do Sistema FAEP, o principal cuidado neste momento é organizar documentos e informações para avaliar os impactos da nova legislação.
“A principal questão para o produtor rural agora é a organização. Ele precisa ter toda documentação necessária, fazer simulações, buscar o apoio do sindicato e a orientação de um contador que conheça a realidade do agro”, explicou.
Entre os pontos que precisam ser avaliados está a possibilidade de adesão ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novos tributos previstos na Reforma Tributária.
Czornei explica que mesmo produtores que não sejam obrigados a contribuir em razão do faturamento poderão avaliar a opção pelo recolhimento. A medida pode permitir a recuperação de créditos de impostos pagos ao longo da cadeia produtiva.
“É uma questão de fazer as contas. Às vezes, o produtor paga um pouco mais na ponta, mas recupera na cadeia e no final sai ganhando”, afirmou.
O Seminário Cidadania Rural 2026 faz parte do Programa Cidadania Rural, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Nacional desde 1999.
A iniciativa busca disseminar conhecimento sobre a legislação aplicada ao setor agropecuário, por meio de capacitações e orientações técnicas. O programa também tem entre os objetivos reduzir inconsistências nos recolhimentos tributários e previdenciários e contribuir para a regularidade das atividades rurais.
“Faz parte do nosso papel estar ao lado do produtor em cada etapa dessa mudança, levando conhecimento técnico e qualificado a todas as regiões do Paraná”, completou Meneguette.
