
A atuação dos sindicatos rurais tem ajudado produtores do Paraná em áreas como gestão, capacitação, assistência administrativa e defesa dos interesses do setor agropecuário. Histórias de associados de diferentes regiões mostram como a estrutura sindical é utilizada no dia a dia das propriedades.
Em Irati, na região Sudeste, Carmen Lucia Soldan Martins, de 78 anos, chegou ao município em 1994 sem experiência na atividade rural. Ao lado do marido, Armelindo Massoni, começou com gado de leite e milho para silagem.
Com o apoio do Sindicato Rural de Irati, o casal ampliou a produção e passou a cultivar também soja e feijão. A propriedade, que começou com 48 hectares arrendados, chegou a 390 hectares.
“Fomos escalando muito. Sempre que a gente tinha dúvidas ou precisava de ajuda, recorria ao sindicato”, conta Carmen.
Entre os serviços utilizados estavam o registro de funcionários, o cálculo da folha de pagamento e o acompanhamento de tributos. A produção chegou a mil litros de leite por dia, com quatro funcionários.
Carmen passou a integrar a diretoria do Sindicato Rural de Irati e atualmente atua como mobilizadora de campo. Entre as atividades está a divulgação de cursos e capacitações oferecidos pelo Sistema FAEP aos produtores da região.
A experiência de Carmen faz parte de um cenário de crescimento da sindicalização entre produtores rurais. O projeto Sindicato Protagonista, criado pelo Sistema FAEP para desenvolver e modernizar os sindicatos rurais paranaenses, teve 105 entidades participantes na edição iniciada em 2025 e encerrada em junho de 2026.
Durante o período, o número de associados passou de 12.690 para 14.511, um crescimento de 14%.
Os sindicatos oferecem serviços como consultoria jurídica, assistência técnica, capacitações, emissão de documentos e apoio no cumprimento de obrigações fiscais. Algumas entidades disponibilizam mais de 50 tipos de atendimento.
A estrutura também inclui locação de máquinas e equipamentos, emissão de certidões e serviços contábeis e ambientais, além dos 259 cursos oferecidos pelo Sistema FAEP.
“Essa representatividade do setor garante que as demandas dos nossos agricultores e pecuaristas sejam ouvidas”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Segundo ele, a atuação sindical também busca defender pautas relacionadas a crédito, políticas agrícolas e valorização da agropecuária.
Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, Pedro Jesuíno Lucin é associado ao sindicato rural desde 12 de dezembro de 1997. Ex-pecuarista, atualmente trabalha com produção de mandioca.
Entre as capacitações realizadas pelo produtor estão cursos de Mandiocultura, Manejo de Solo, Irrigação, Tratorista, Manejo Bovino e Inseminação Artificial de Bovinos.
Lucin também destaca palestras, visitas a exposições e eventos como as caravanas para a Agrishow e o Show Rural Coopavel.
“Além de termos as informações necessárias para o dia a dia, temos essas experiências únicas”, afirma.
Em Astorga, no Norte do Paraná, Plínio André Bérgamo, de 90 anos, é associado desde 1971. Ao longo de 55 anos, utilizou serviços do sindicato para questões administrativas, incluindo a emissão do Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR) e o preenchimento do Imposto de Renda.
A entidade também auxiliou a família após um funcionário sofrer um acidente de trabalho e precisou de atendimento junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“O sindicato é um espetáculo. Quem não é associado passa apuro”, afirma Bérgamo.
Em Londrina, Everton Dutra é associado ao sindicato rural desde 2010. A família trabalha com soja, milho e aveia, além da criação de bovinos.
Para o produtor, um dos principais benefícios da entidade é o acesso às informações sobre mudanças na legislação e nas rotinas trabalhistas.
“Isso tem impacto direto na gestão da propriedade”, afirma Dutra.
Ele também destaca a atuação sindical em negociações coletivas e na defesa dos interesses dos produtores durante o processo legislativo.
Em Prudentópolis, Romildo Salanti também atua na diretoria do sindicato rural. Associado há décadas, ele ocupa a função de tesoureiro desde 2002 e acompanha as mudanças na estrutura da entidade.
Segundo Salanti, o aumento da oferta de cursos e treinamentos ampliou a capacidade de apoio aos produtores da região.
“Hoje temos muitos cursos e treinamentos que fazem toda a diferença e ajudam muitos produtores rurais da região”, afirma.
Para ele, o fortalecimento dos sindicatos depende também da participação dos produtores. “Quanto mais gente tiver, melhores são os nossos resultados, as nossas conquistas.”
