
O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) afirmou que pretende atuar no acompanhamento da reforma tributária e defender os interesses das cooperativas paranaenses durante a transição para o novo sistema de impostos sobre o consumo.
A declaração foi feita durante uma sabatina. Curi disse que pretende ouvir representantes das cooperativas, do setor produtivo e do comércio para identificar eventuais problemas na aplicação das novas regras.
“Um dos primeiros atos é me aprofundar nessa questão da reforma tributária. Nós temos que ouvir as cooperativas, o setor produtivo e o comércio”, afirmou.
A reforma já entrou na fase de implementação em 2026. O novo modelo prevê a substituição gradual de tributos sobre o consumo pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com transição prevista até 2033.
A Lei Complementar 214/2025 criou um regime específico para as sociedades cooperativas. Em operações previstas na legislação, as alíquotas de IBS e CBS podem ser reduzidas a zero.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS informaram nesta sexta-feira (18) que as cooperativas já podem formalizar a opção pelo regime. O prazo vai de 1º de setembro a 31 de outubro de 2026, e a escolha terá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
A Receita orienta que cada cooperativa avalie os efeitos da escolha sobre fluxo de caixa, relacionamento com fornecedores, clientes e cooperados, aproveitamento de créditos, precificação e planejamento tributário.
Curi afirmou que pretende levar ao Senado as demandas que surgirem durante esse processo.
“A primeira conversa que eu tive com as cooperativas e o setor produtivo mostra que nós precisamos aprofundar esse debate”, disse.
Durante a sabatina, Curi destacou a presença das cooperativas na economia do Paraná, especialmente nas cadeias ligadas ao agronegócio e no desenvolvimento do interior.
O Sistema Ocepar acompanha a regulamentação da reforma tributária e afirma que as cooperativas paranaenses atuaram na construção das regras para preservar o tratamento tributário adequado ao modelo cooperativista.
Dados do Ranking Valor 1000 de 2026 mostram que 19 cooperativas paranaenses do ramo agropecuário estão entre as 1.000 maiores empresas do Brasil. Entre elas estão Coamo, Lar, C.Vale, Cocamar, Copacol, Integrada, Agrária e Coopavel.
No Oeste do Paraná, seis cooperativas aparecem entre as mil maiores empresas brasileiras. Juntas, Lar, C.Vale, Copacol, Coopavel, Frimesa e Copagril registraram faturamento de aproximadamente R$ 74,6 bilhões em 2025.
Entre os temas acompanhados pelo cooperativismo estão o aproveitamento e a transferência de créditos tributários, as operações entre cooperativas e associados e as regras aplicáveis às operações com não associados.
A legislação estabelece tratamento específico para determinadas operações entre cooperativas e cooperados. O setor, porém, continua acompanhando a regulamentação e a aplicação prática das normas durante a transição.
A própria Receita Federal alerta que a opção pelo regime específico pode produzir efeitos sobre as relações comerciais e as estratégias de negócios de cada cooperativa, razão pela qual recomenda uma análise individualizada antes da escolha.
Para Curi, a reforma tributária será uma das pautas econômicas que deverão permanecer no Senado nos próximos anos. O candidato afirmou que pretende defender mudanças que considerem as características do agronegócio, da agroindústria e do cooperativismo paranaense.
“Eu vou ser um senador que vota ao lado do setor produtivo e das cooperativas, defendendo elas nessa reforma tributária”, afirmou.