
O Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) de Cascavel concluiu um inquérito que apurava um caso de estupro de vulnerável na forma continuada praticada por um homem de 42 anos, conhecido por ser um palhaço na cidade.
Conforme nota encaminhada pela delegada Thais Zanatta à imprensa, o homem foi indiciado pelo crime. Ele atua profissionalmente como artista de rua, desempenhando a função de palhaço, ocupação que lhe confere trânsito livre e contato direto com o público infanto-juvenil, o que reforça a necessidade de alerta à comunidade.
Segundo a delegada, os fatos aconteceram em 2016, quando a vítima possuía entre cinco e seis anos de idade. A investigação apontou que o homem aproveitava-se de sua relação de proximidade e confiança com a família para praticar reiterados atos libidinosos e conjunção carnal contra a menor, sempre utilizando o pretexto de convidá-la para assistir a desenhos animados. A revelação dos abusos ocorreu apenas em 2023, quando a vítima contava com onze anos, relatou o ocorrido à sua genitora. Tal demora é cientificamente compreendida como Síndrome de Acomodação ao Abuso Sexual Infantil, fenômeno comum em casos onde o agressor detém papel de confiança.
O depoimento da vítima, colhido através de escuta especializada conforme a Lei nº 13.431/2017, apresentou coerência e detalhamento, sendo corroborado por relatos de graves alterações comportamentais, como agressividade, automutilação e tentativas de suicídio iniciadas aos sete anos de idade. Embora o investigado tenha alegado motivação política em sua defesa, tal tese foi descartada diante da incapacidade da vítima, à época uma criança, de compreender tais questões e da espontaneidade do relato familiar.
""Cabe destacar que o investigado possui histórico de boletins de ocorrência envolvendo seu nome, incluindo registro anterior de 2022 com relato de conduta similar envolvendo outra menor, com modus operandi idêntico ao descrito pela vítima no presente caso. Em relação aos fatos apurados no boletim de ocorrência de 2022, o investigado já foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de estupro de vulnerável, processo que tramita sob segredo de justiça.", cita a delegada.
A ênfase em sua atividade profissional como palhaço serve como medida de proteção social, dado o risco inerente à exposição de crianças a indivíduos com este histórico em funções de entretenimento. O inquérito segue agora para o Poder Judiciário.
A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a proteção integral da criança e do adolescente e orienta que denúncias sejam feitas pelo telefone (45) 3226-7023 (NUCRIA), Disque 100 ou Disque 181.
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