
O Laboratório Central de Cascavel encerrou 2025 como uma das principais estruturas públicas de diagnóstico do Paraná. Com mais de 1,3 milhão de exames realizados ao longo do ano, a unidade atingiu o maior volume desde o início dos registros, em 2010, superando em cerca de 10% o desempenho de 2024, quando foram feitos pouco mais de 1,1 milhão de procedimentos. O avanço não é apenas numérico: o laboratório amplia sua atuação técnica, conquista certificações estratégicas e passa a executar exames que, até recentemente, só eram realizados em Curitiba ou em Foz do Iguaçu, tornando-se uma referência estadual em saúde pública.
Os números de 2025 colocam o Laboratório Central de Cascavel em um novo patamar dentro da rede pública de saúde. O volume recorde de exames evidencia a crescente demanda da população e o fortalecimento da estrutura municipal como suporte essencial às unidades básicas, UPAs e demais serviços do SUS. Diariamente, pacientes encaminhados pela rede municipal passam pelo laboratório para a realização de exames gratuitos que são decisivos para diagnóstico, acompanhamento clínico e definição de tratamentos em poucos dias. “Análises que antes demoravam 15, 20 dias para sair, agora temos em dois ou três dias. É uma agilidade e precisão no atendimento”, destaca a coordenadora do laboratório, Nely Norder.
Para o prefeito Renato Silva, o desempenho reflete um investimento contínuo em estrutura e pessoas. Segundo ele, o laboratório é um patrimônio da saúde pública local. “É um orgulho para Cascavel ter um equipamento desse porte, com servidores altamente capacitados, que garantem atendimento de qualidade e reforçam o município como referência”, afirmou.
Atualmente, o laboratório municipal opera com um portfólio de cerca de 150 tipos de exames, abrangendo análises clínicas de rotina e procedimentos de maior complexidade. Parte dos exames ainda é realizada de forma híbrida, com apoio de prestadores terceirizados, especialmente em unidades com grande volume de coletas. No entanto, há exames exclusivos que são feitos apenas pelo laboratório municipal, reforçando sua autonomia técnica.
O grande salto ocorre com a ampliação da capacidade diagnóstica. Após processos rigorosos de validação, a unidade recebeu certificações que permitem a realização local de exames que antes precisavam ser enviados ao Lacen, em Curitiba — o que, em períodos de alta demanda, resultava em atrasos significativos.
Entre as principais conquistas está a habilitação para diagnóstico de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Desde outubro, o laboratório vinha sendo submetido a testes às cegas, alcançando 100% de conformidade nas amostras analisadas. Com isso, Cascavel passa a emitir laudos diretamente, sem necessidade de validação externa.
“Na prática, o laboratório municipal se torna um braço operacional do Lacen no Oeste do Paraná, permitindo o fechamento mais rápido de casos suspeitos e confirmados”, completa Nely Norder. Em situações como epidemias de dengue ou crises sanitárias, exames que antes levavam de 15 a 20 dias para ter resultado agora podem ser liberados em dois ou três dia, ou até no mesmo dia.
Outra frente de avanço está no diagnóstico molecular. O laboratório recebeu dois equipamentos de biologia molecular do Ministério da Saúde, que possibilitam testes rápidos para tuberculose, HIV, hepatites B e C, além de infecções sexualmente transmissíveis como clamídia e gonorreia. Esses exames, que antes dependiam do Lacen de Curitiba ou de laboratórios de fronteira em Foz, agora são realizados integralmente em Cascavel.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Ali Haidar, a mudança representa um ganho direto para o sistema público. “A tecnologia reduz o tempo de resposta, diminui o desgaste das equipes, melhora a vigilância epidemiológica e ainda gera economia, permitindo que os recursos do município sejam investidos de forma mais qualificada”, explicou.
A agilidade nos resultados transforma a forma como o município lida com dados de saúde pública. Antes, médicos precisavam iniciar tratamentos com base em exames disponíveis no momento, enquanto a confirmação oficial dos casos demorava semanas. Agora, os dados epidemiológicos são consolidados quase em tempo real, permitindo ações mais precisas de controle, prevenção e formulação de políticas públicas.
Esse ganho é considerado estratégico, especialmente em cenários de surtos, como ocorreu durante a pandemia da Covid-19 e em períodos de alta incidência de dengue, quando a lentidão na confirmação dos casos dificultava o planejamento das respostas do poder público.
Apesar do crescimento expressivo na produção, o laboratório opera com uma equipe de 32 servidores concursados, entre bioquímicos, biomédicos, técnicos de laboratório, profissionais de apoio e administrativos, além de estagiários. Mesmo com equipe reduzida, a unidade manteve padrões elevados de qualidade, o que foi determinante para a obtenção das certificações.
A coordenadora do laboratório, Nely Norder, destaca que o reconhecimento é fruto de um trabalho técnico rigoroso. “Batemos recorde de produção com menos profissionais e ainda conquistamos certificações usando insumos de qualidade superior, inclusive aos utilizados pelo próprio Estado. Isso é resultado de dedicação, capacitação contínua e compromisso com a excelência”, afirmou.
Avaliações teóricas mensais, controle rigoroso de insumos, equipamentos calibrados e observância de normas nacionais e internacionais garantem a confiabilidade dos laudos emitidos à população.
Além das conquistas já consolidadas, o laboratório se prepara para implementar novas tecnologias em 2026, com foco em automação e otimização de processos. A expectativa é reduzir ainda mais o esforço operacional, minimizar erros, aumentar a produtividade e gerar economia, sem comprometer a qualidade.
Para a gestão municipal, o Laboratório Central de Cascavel deixa de ser apenas uma estrutura de apoio e passa a ocupar um papel estratégico dentro do sistema estadual de saúde. Com capacidade técnica reconhecida, certificações oficiais e resultados expressivos, a unidade se firma como referência estadual em diagnóstico público, demonstrando que investimento em ciência, tecnologia e pessoas gera retorno direto à população.
“Ao transformar exames que antes dependiam da capital em serviços locais, Cascavel encurta distâncias, salva tempo e, em muitos casos, salva vidas”, destaca Nely Norder.
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