
A campanha do Cascavel FC no Campeonato Paranaense tem gerado preocupação dentro e fora de campo. Com um elenco formado majoritariamente por jovens, pouca experiência acumulada em competições de alto nível e investimento limitado em atletas mais rodados, o clube se vê diante de um cenário perigoso: a disputa do chamado “torneio da morte” contra o Andraus e o risco concreto de queda para a segunda divisão estadual.

A análise foi feita por Hélio Kallo, treinador e comentarista esportivo, durante participação no podcast De Olho no Esporte. Segundo ele, o problema não está apenas nos resultados, mas em um conjunto de fatores que passam pela montagem do elenco, pela inexperiência dos atletas e pela dificuldade em sustentar jogos decisivos.
“Se a gente for analisar pelo lado técnico, o Cascavel tem hoje cinco ou seis jogadores com certa experiência, que são os que precisam carregar o piano. O restante do elenco é muito jovem”, avaliou. Para Hélio, experiência não se compra de última hora. “Experiência não tem supermercado para vender. O jovem precisa de tempo.”
Ao longo da competição, o que se viu foi um time que até consegue competir em determinados momentos, mas que sofre para sustentar resultados. “Você faz o gol, mas logo um garoto erra um passe, gera uma situação desnecessária, e o adversário cresce. Não é culpa dos meninos, é o contexto”, explicou.
A mudança na fórmula do Paranaense, com jogos de tiro curto e pouco espaço para recuperação, também agravou o cenário. “Você vai disputar um campeonato desse nível e precisa ter no mínimo uma base de 11 jogadores experientes, para depois ir inserindo os garotos”, afirmou Hélio, citando exemplos de jogos em que a defesa precisou ser improvisada com atletas jovens, o que acabou custando caro.
O alerta maior, no entanto, está no duelo contra o Andraus. “Condições de ficar tem, mas vai depender muito do psicológico desses garotos. A cabeça pesa. A pressão é grande”, disse. Segundo ele, o ataque precisa funcionar e o time precisa ser menos previsível taticamente para sobreviver.
Pensando além do Estadual, Hélio foi direto ao falar sobre a Série D. “Com esse time aí, não dá. Vai sentir demais. A Série D é pesada, é botinada, é viagem longa. Precisa de pelo menos meia dúzia de jogadores rodados, prontos para jogar.”
Apesar das críticas, Hélio deixou claro que elas não têm caráter destrutivo. “A gente aponta essas coisas porque quer ver o Cascavel bem. Todo mundo torce para que o time vá bem, tenha estádio cheio, dispute competições maiores. A crítica faz parte do crescimento.”
Ele finalizou reforçando que cobrar é também uma forma de apoiar. “Ninguém quer o mal do Cascavel. Pelo contrário. A gente quer ver o clube forte, competitivo e representando bem a cidade em todas as competições.”
FOTO: Elenco de 2026
Helio Kallo analisou o FC Cascavel
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