
Com o fim do Show Rural Coopavel 2026 nesta sexta-feira (13), o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) também encerra sua programação no evento após cinco dias de agendas institucionais, atendimento a produtores e rodadas de negócios. O fechamento veio com um dado importante para o agro no Paraná: só no Banco do Agricultor Paranaense, o banco soma R$ 434,33 milhões em valores contratados, distribuídos em 3.127 projetos.
A carteira de operações, segundo o BRDE, espelha a agenda tecnológica que dominou estandes e debates na feira: energia solar responde por 38% dos projetos, enquanto pecuária de corte representa 23% e pecuária de leite, 29%. Irrigação e projetos com biomassa também são relevantes nesta carteira.
Criado para acelerar investimentos produtivos com estímulos direcionados, o Banco do Agricultor Paranaense opera em parceria com instituições como BRDE e Fomento Paraná, entre outras. O objetivo é fomentar produtores, cooperativas e agroindústrias familiares, por meio de crédito subsidiado e subvenções econômicas, com prioridade para projetos de energia sustentável e irrigação.
O coração do mecanismo é a equalização de juros: a Fomento Paraná gerencia o programa com recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) e uma subvenção do Governo do Estado permite a devolução parcial ou total dos juros pagos pelos produtores, variando conforme porte do tomador, tipo de projeto e localização. Regiões com IDH abaixo da média estadual tendem a receber benefício maior, como instrumento de incentivo ao desenvolvimento regional.
Além da agricultura familiar e do pequeno produtor, o desenho admite também operações para perfis maiores, desde que alinhadas a frentes prioritárias (como energia solar, biomassa, irrigação e turismo), buscando impacto econômico e ambiental positivo.
O diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, afirma que o Show Rural é uma vitrine natural para a força do banco no campo. “O agro é uma das nossas maiores vocações, e o Show Rural é o lugar onde essa energia aparece com clareza. E o BRDE é também indústria e inovação. Fomento, para nós, é justamente conectar produtividade e competitividade e transição sustentável.”, diz Renê, que destacou também o papel do BRDE como gestou do Fundo Setorial do Audiovisual, reforçando que a missão do banco passa por apoiar cadeias estratégicas, com alto potencial de geração de emprego.
A vitrine do Banco do Agricultor foi apresentada pelo BRDE como uma amostra de desta agenda ampla. O banco encerrou 2025 com R$ 5,6 bilhões contratados em 17.880 operações diretas ou indiretas nos três estados do Sul, além de Mato Grosso do Sul, e destacou o avanço do estoque de operações ativas.
“Quando a gente fala em saldo em carteira, estamos falando do estoque vivo de financiamentos: projetos em andamento, empresas e produtores pagando parcelas, investimentos que seguem produzindo resultado real. Esse saldo hoje gira em torno de R$ 25 bilhões, com crescimento de 72% nos últimos cinco anos, uma fotografia de como o fomento ganhou escala”, disse diretor administrativo, Heraldo Neves.
Levantamentos apontam que o efeito macroeconômico é direto: “O incremento estimado no PIB dos três estados do Sul é, em linhas gerais, mais ou menos 1 para 1: o que o BRDE viabiliza em crédito tende a se traduzir em atividade econômica. E isso é o que justifica a existência de um banco de desenvolvimento”, afirmou.
Nos estados onde o banco atua, foram mais de R$ 5,64 bilhões em investimentos no último ano, com 48,6% voltados ao agronegócio. São negócios ligados a compromissos com a sustentabilidade: 79% dos contratos do BRDE têm pelo menos um alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
No Paraná, o banco fechou o ano com R$ 2,2 bilhões em contratos, com mais da metade destinada ao agro. Sede do Show Rural e um dos polos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro, o Oeste também aparece como principal âncora regional do BRDE no estado. Segundo números apresentados pelo banco, a região responde por 26% do fomento viabilizado pelo BRDE no Paraná nos últimos cinco anos, à frente da Região Metropolitana de Curitiba (15,7%), Norte Central (14%) e Sudoeste (13,9%).
ANÚNCIOS –A participação do BRDE no Show Rural foi marcada por agendas de governo e anúncios sucessivos. Já no primeiro dia, o governador Carlos Massa Ratinho Junior assinou a liberação do orçamento de 2026 do banco no Paraná, no valor de R$ 2,2 bilhões, destinado aos novos contratos de crédito a serem operados neste ano.
Na quarta-feira, o governador em exercício Darci Piana esteve no espaço do banco para formalizar dois convênios: um com a Associação Comercial e Industrial de Cascavel (ACIC), para ampliar o acesso das empresas associadas às linhas do BRDE, e outro operacional, de R$ 15 milhões, com a Cooperativa LAR, ampliando a oferta de crédito por meio da LAR Credi. Na mesma agenda, Estado e diretoria do BRDE também entregaram certificados a instituições beneficiadas por mecanismos federais de incentivo fiscal.
PODCAST –Em paralelo ao atendimento a clientes, o BRDE montou pela primeira vez um espaço próprio de gravação, o podcast Conexão BRDE, com 23 entrevistados ao longo da semana, incluindo o governador Ratinho Junior, o secretário das Cidades, Guto Silva; o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca; o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona; o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara; prefeitos da região, diretores de instituições parceiros, como Cresol, Sicredi e Sebrae, parlamentares, clientes e participantes do BRDE Labs, programa criado para fomentar inovação e apoiar empresas na gestão de inovação e no fortalecimento de negócios.
Os episódios serão publicados nas próximas semanas no YouTube do banco, com recortes para redes sociais, como parte da agenda comemorativa dos 65 anos da instituição, celebrados em junho de 2026.
VITRINE -O superintendente do BRDE no Paraná, Paulo Starke, avaliou que a feira funcionou como um radar de demanda e uma vitrine de prospecção: “Ao longo de cinco dias, centenas de clientes passaram pelo nosso estande ou tiveram contato com nossos produtos e serviços. Mais do que atender, a feira serve para ouvir: entender onde está o investimento do produtor, quais tecnologias estão chegando e como o crédito pode destravar produtividade com sustentabilidade”, diz.
O público interessado em conhecer as linhas de financiamento e obter mais informações sobre as operações pode acessar o site do BRDE ou procurar diretamente as agências da instituição.
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