
Com experiência de 35 anos no jornalismo e após uma expressiva votação para a prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml agora percorre o Paraná consolidando sua pré-candidatura ao Senado Federal. Durante sua passagem pelo Show Rural, em Cascavel, a jornalista enfatizou sua conexão com as pautas do agronegócio, as demandas por infraestrutura energética no interior e sua visão conservadora sobre a representação política em Brasília, defendendo um mandato itinerante e próximo das bases produtivas do estado.
No episódio desta semana do podcast Batendo o Guizo, o comunicador Miguel Dias conversou com Cristina Graeml sobre seus projetos políticos, a relação com o setor produtivo e os desafios do Paraná para as próximas eleições. Confira a seguir uma síntese da entrevista. O episódio completo você assiste em vídeo nas plataformas digitais do Preto no Branco ou escaneando o QR Code ao final da entrevista.
Preto no Branco: Você tem percorrido o Paraná e marcou presença no Show Rural. Como tem sido essa aproximação com o setor produtivo e qual sua real ligação com o agronegócio paranaense?
Cristina Graeml: Primeiro, é preciso destacar que todos nós somos vinculados ao agro, uma vez que somos todos consumidores. Quem se alimenta depende do campo. Eu, como a maior parte dos paranaenses, descendo de imigrantes europeus — alemães e italianos — que vieram para a região de Curitiba no século XIX para trabalhar na roça. Sou jornalista há 35 anos e sempre fui uma defensora ferrenha do setor, fazendo questão de divulgar o esforço monumental que é colocar alimento na mesa dos brasileiros e de outros países, já que o Paraná é um exportador nato. Estar no Show Rural é essencial para ouvir quem produz e entender que o estado precisa de uma representação que saiba o que cada região está pedindo.
Preto no Branco: A senhora foi intitulada "madrinha" de um movimento que tem ganhado força no campo, o MCT. Como surgiu essa relação?
Cristina Graeml: Fui intitulada madrinha do MCT, que é o Movimento dos Trabalhadores com Terra. Ele surgiu no ano passado em Santa Catarina, durante aquele "Abril Vermelho", quando produtores decidiram se unir para ocupar uma fazenda que estava seriamente ameaçada de invasão pelo MST. Como eu fui a primeira jornalista do país a abraçar a divulgação dessa causa na Gazeta do Povo e na rádio, eles me deram esse título. Tenho tido muito contato com esses agricultores do Paraná e de Santa Catarina que buscam apenas segurança jurídica para trabalhar em paz em suas propriedades.
Preto no Branco: Nessas andanças pelo estado, visitando tantas cidades, quais são as carências mais urgentes que os paranaenses têm relatado à senhora?
Cristina Graeml: Fiz uma jornada de visitas às várias regiões do estado, percorrendo mais de 90 cidades em um ano, com recursos próprios e apoio de amigos. O que eu identifiquei de forma muito clara foi uma demanda energética generalizada. O pessoal reclama muito das quedas de energia. Cito o exemplo de cidades da nossa região onde o produtor investe pesado em aviários de última geração, mas a rede elétrica não suporta a carga. Se a luz cai e o gerador falha por alguns minutos, o prejuízo é de milhares de aves perdidas. A infraestrutura de energia não está acompanhando o avanço tecnológico do campo.
Preto no Branco: Como a senhora planeja atuar no Senado para resolver problemas que, muitas vezes, parecem ser de competência mais local ou estadual?
Cristina Graeml: Nem tudo se resolve apenas criando novas leis. O Congresso legisla para o país, mas o senador representa o Estado. O mandato precisa ser uma ponte. Quando percorro o Paraná, percebo que falta fiscalização e voz ativa para cobrar que os recursos federais cheguem onde realmente importa. Eu defendo um mandato que não fique encastelado em Brasília. O senador deve ser o elo que garante que o imposto pago pelo paranaense retorne em infraestrutura de qualidade, seja em estradas ou na modernização da rede elétrica que mencionei.
Preto no Branco: Falando sobre o cenário político atual, como a senhora analisa a atuação dos atuais senadores e qual seria o seu diferencial em relação a nomes como Oriovisto Guimarães ou Sérgio Moro?
Cristina Graeml: O eleitor busca renovação com coerência. Eu venho de fora da política tradicional, mas com uma bagagem de décadas analisando o cenário público. Meu diferencial é a conexão direta com a base conservadora e produtiva. Respeito o trabalho de todos, mas acredito que o Paraná pode ter uma voz ainda mais firme e técnica em Brasília. O mandato de um senador é longo, são oito anos, e não podemos ter representantes que se distanciam das pautas que os elegeram.
Preto no Branco: No União Brasil, partido ao qual a senhora pertence, há muitas especulações sobre chapas. O nome do deputado federal Tiago Amaral é ventilado como um possível suplente. Existe essa conversa?
Cristina Graeml: O Tiago Amaral é um grande deputado, um parceiro de partido e uma liderança muito forte em Londrina e em todo o estado. No entanto, não estamos negociando suplência neste momento. É muito cedo para isso. Essa construção passará pelo partido e pela federação na hora certa. O que buscamos são nomes que tenham ficha limpa e compromisso real com os valores que defendemos. A escolha do suplente é de extrema responsabilidade, pois ele pode assumir o cargo a qualquer momento, como vemos acontecer com frequência no cenário nacional.
Preto no Branco: Para encerrar, qual a importância de veículos de comunicação como o "Preto no Branco" para a democracia e para o interior do estado?
Cristina Graeml: É uma alegria sentir o cheirinho do papel jornal aqui. Parabéns pela resiliência, pois sei que manter um jornal impresso hoje não é fácil. Temos um leitor saudosista e que confia na credibilidade do que está escrito no papel. Vida longa ao Preto no Branco. Estarei de volta a Cascavel e à região muitas vezes, porque o povo
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