
Da infância nas ruas de Guarulhos aos títulos com o Stein Cascavel, a ala Flavia Alonso vive grande fase na carreira e quer ajudar o clube a conquistar o pentacampeonato estadual e o tricampeonato da Liga Feminina, objetivos que coroariam uma trajetória construída com dedicação desde cedo.
Flavia cresceu em meio ao futebol de rua e passava os dias na casa dos avós, onde convivia com os primos — todos meninos — e de onde nasceu a paixão pelo futsal. “Eu queria jogar junto, mesmo sendo a única menina. Às vezes os meninos não deixavam e meu pai ou meus primos precisavam intervir”, recorda. O incentivo constante dos pais Fábio e Élen, foi fundamental para que continuasse avançando num ambiente ainda predominantemente masculino.
Aos dez anos veio o teste na Portuguesa, onde atuou no sub-13, mesmo sendo mais jovem e fisicamente menor que as demais atletas. Pouco tempo depois, passou a defender o Corinthians, clube onde completou toda a base, dividindo-se entre o futsal e o futebol de campo. Aos 17 anos, precisou escolher qual caminho seguir — e optou pela modalidade que sempre falou mais alto. “Eu gostava do campo, mas meu coração estava no futsal”, lembra.
Com a pandemia interrompendo competições, Flavia manteve treinos individuais até receber o primeiro convite profissional: integrar o elenco do Barateiro, em Brusque (SC). A mudança marcou sua adaptação à vida adulta no esporte. “O primeiro ano foi difícil, com pouca minutagem e muito aprendizado. Mas aquilo me moldou”, destaca.

A evolução chamou atenção e, no ano seguinte, veio a convocação para a Seleção Brasileira Sub-20, comandada por Márcio Coelho — treinador que reencontraria em 2023, quando recebeu o convite para defender o Stein Cascavel. A adaptação foi imediata. Com sua intensidade e leitura de jogo, Flavia rapidamente se consolidou entre as atletas mais regulares da equipe.
Entre 2023 e 2025, acumulou títulos, finais e atuações decisivas, reforçando o protagonismo da equipe cascavelense no cenário nacional. Agora, vive mais uma temporada de forte pressão e grandes objetivos. Após a frustração da Taça Brasil, perdida dentro de casa, ela garante que o episódio serviu como combustível. “Ficamos chateadas, mas criamos casca. Ressignificamos aquele momento e voltamos mais unidas”, afirma.

Sobre o primeiro jogo da final do Paranaense, vitória por 1 a 0 sobre Marechal, Flávia destaca o nível elevado do adversário. “É uma das equipes mais bem treinadas do país. As finais se decidem nos pequenos detalhes, e precisamos estar atentas o tempo todo”, avalia. Para o duelo de volta, no Ginásio da Neva, ela aposta no apoio da torcida. “A torcida do Stein abraça o time. Jogar aqui é emocionante. Eles fazem diferença.”
Superando lesões e retomando o ritmo ideal, Flávia afirma estar vivendo uma das temporadas mais consistentes da carreira. Mais madura e confiante, diz estar preparada para os desafios que virão e motivada a ampliar a história vitoriosa do Stein. “Estou com muita vontade de jogar e ajudar a equipe. Vamos lutar até o fim”, conclui.
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