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Colégio Estadual do Paraná celebra 180 anos de tradição e impacto na educação do Estado

Berço de histórias, memórias e conquistas, o Colégio Estadual do Paraná teve sua trajetória construída, ao longo das décadas, por gerações de alun...

13/03/2026 às 12h07
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN
Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

Poucas instituições atravessam séculos acompanhando as transformações de uma sociedade. O Colégio Estadual do Paraná (CEP) é uma delas. Nesta sexta-feira (13), a escola celebra 180 anos de história como uma das mais tradicionais instituições de ensino público do País, com uma trajetória marcada pela formação de gerações de paranaenses e pela presença constante na vida cultural, política e intelectual do Estado.

Berço de histórias, memórias e conquistas, o Colégio Estadual do Paraná teve sua trajetória construída, ao longo das décadas, por gerações de alunos, professores, diretores, merendeiros, inspetores e tantos outros profissionais que ajudaram a formar a identidade da instituição. Mais do que um espaço de ensino, o CEP tornou-se um dos principais patrimônios educacionais do Paraná, responsável pela formação de cerca de 90 mil estudantes ao longo de seus 180 anos.

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“Celebrar os 180 anos do Colégio Estadual do Paraná significa dar importância ao patrimônio histórico do Estado do Paraná. Trata-se de valorizar as tradições do passado em uma instituição que atua no presente pensando, planejando e inovando para o futuro”, destaca César Augusto Cruz, diretor do CEP.

FUNDAÇÃO– A história do Colégio Estadual do Paraná se confunde com a própria formação do Paraná. Criado em 13 de março de 1846, o então Licêo de Coritiba surgiu sete anos antes da emancipação da Província do Paraná, ocorrida em 1853.

Inicialmente instalado em uma casa alugada no Largo da Matriz (atual Praça Tiradentes) no Centro da Capital, o colégio mudaria de endereço diversas vezes à medida que crescia e ampliava suas atividades. Após funcionar na Praça Tiradentes, ganhou sua primeira sede própria em 1854, na Rua da Assembleia (hoje Alameda Dr. Muricy). Depois passou pela Rua Emiliano Perneta e pela Rua Ébano Pereira, até chegar ao endereço atual, na Avenida João Gualberto, no Centro de Curitiba.

A trajetória de mudanças reflete também as transformações da educação brasileira ao longo do século XIX. O colégio passou por diferentes denominações: Instituto Paranaense, Gymnásio Paranaense e Colégio Paranaense, até adotar oficialmente o nome Colégio Estadual do Paraná em 1943.

PERSONALIDADES– Ao longo de quase dois séculos, cerca de 90 mil estudantes concluíram os estudos no Colégio Estadual do Paraná. Entre eles estão nomes que marcaram a história política, cultural e intelectual do País.

Pelos corredores do CEP passaram personalidades como o político Jânio Quadros, que concluiu o ensino primário na instituição entre 1928 e 1930, quando a escola ainda se chamava Ginásio Paranaense. Também estudaram no colégio nomes importantes da política paranaense, como o ex-deputado federal Ney Braga e os ex-governadores Jaime Lerner e Paulo Pimentel.

No campo da cultura, das artes e do direito, o CEP formou figuras que se tornaram referência nacional, como os escritores Dalton Trevisan e Paulo Leminski, o compositor Bento Mossurunga, o artista Poty Lazzarotto e o jurista René Dotti.

Entre as trajetórias mais simbólicas está a de Enedina Alves Marques, que frequentou o colégio ainda no início do século XX. Criada em condições simples, Enedina trabalhou como doméstica enquanto estudava para concluir sua formação. Anos depois, ingressou na Universidade Federal do Paraná e, em 1945, tornou-se a primeira engenheira negra do Brasil, quebrando barreiras em uma profissão então dominada por homens. Sua história tornou-se símbolo de superação e de acesso à educação como instrumento de transformação social.

“São nomes que se tornaram amplamente conhecidos, mas há também inúmeros ex-alunos que, em suas áreas de atuação, como nas artes, na arquitetura, na pesquisa, na música e em tantas outras, ajudam diariamente a fortalecer a cultura e a sociedade paranaense. Isso mostra que o CEP sempre foi um espaço de formação de lideranças, de pensamento crítico e de protagonismo dos estudantes”, afirma o diretor.

CURIOSIDADES– Símbolo arquitetônico de Curitiba, o atual edifício do Colégio Estadual do Paraná se tornou um dos marcos urbanos da capital paranaense. A imponência da construção e sua importância para a história da educação no Estado fizeram com que o prédio fosse tombado como patrimônio histórico do Paraná em 1994.

Mais do que um edifício emblemático, o CEP também preserva um importante patrimônio intelectual. A biblioteca escolar reúne atualmente mais de 38 mil exemplares e cerca de 16 mil títulos catalogados, disponíveis para consulta e empréstimo da comunidade estudantil.

O acervo inclui obras de diferentes áreas do conhecimento e também exemplares históricos que ajudam a contar a trajetória da educação no Estado. Entre as raridades preservadas no Centro de Memória do colégio está a obra “Sertum Palmarum Brasiliensium”, publicada em 1903 pelo botânico brasileiro João Barbosa Rodrigues, considerada referência científica sobre a botânica brasileira e parte de um conjunto de mais de 500 obras raras preservadas pela instituição.

A longa história da instituição também guarda fatos pouco conhecidos e curiosidades que fazem parte do imaginário de gerações de estudantes. Uma delas está escondida no subsolo do prédio: um abrigo antiaéreo construído durante a Segunda Guerra Mundial, quando o projeto da nova sede estava sendo elaborado. A estrutura nunca chegou a ser utilizada para defesa e hoje integra a rotina da escola, servindo de espaço para atividades artísticas e culturais.

Outro detalhe curioso está no Salão Nobre do Colégio Estadual do Paraná, que abriga a Pinacoteca Theodoro de Bona, um espaço dedicado à preservação da memória institucional e artística da escola. Além de reunir obras e registros históricos ligados à trajetória do colégio, o local também funciona como um ambiente de valorização da produção cultural paranaense.

Entre os destaques do acervo está uma das maiores obras do artista paranaense Theodoro de Bona: um quadro monumental que retrata a fundação de Curitiba. A pintura foi encomendada especialmente para a inauguração da atual sede do colégio, em 1950, e permanece até hoje como uma das peças mais emblemáticas do espaço.

Nascido na Itália e radicado no Paraná desde a infância, Theodoro de Bona (1904 – 1990) foi um importante pintor, muralista e professor de artes. Considerado um dos grandes nomes da arte paranaense do século XX, destacou-se por obras de grande escala, muitas delas ligadas à história e à identidade cultural do Estado.

DO CEP PARA A VIDA– Para quem acompanha o cotidiano da escola, a força do CEP está justamente na capacidade de formar caminhos que se estendem muito além dos muros da instituição.

A pedagoga Laureci Schmitz, que esteve à frente da direção do CEP em duas gestões (2012 – 2016 e 2021 – 2025), afirma que a escola se consolidou ao longo das décadas como um espaço onde talentos são descobertos e trajetórias começam a ganhar forma. “O CEP tem uma história muito forte. Quem passa por aqui entende que a escola é muito mais do que um prédio, ela faz parte da vida das pessoas”, diz.

Ao longo dos anos, ela acompanhou o surgimento e a expansão de projetos que hoje fazem parte da identidade da instituição. Um exemplo é o DANCEP, grupo de dança do colégio que, no início da década passada, reunia cerca de 60 estudantes e ensaiava nos corredores da escola. Com a criação de um espaço dedicado para os ensaios, o projeto cresceu e hoje envolve cerca de 500 alunos, representando o CEP em festivais nacionais e internacionais. “A escola precisa abrir espaço para que os estudantes descubram talentos que, muitas vezes, nem imaginavam ter”, diz.

Ela lembra de um estudante que começou a faltar com frequência às aulas e passou a ser acompanhado mais de perto pela equipe pedagógica. “A gente foi atrás, chamou para conversar, tentou entender o que estava acontecendo. A escola precisa olhar para cada estudante de forma individual”, recorda. Anos depois, o jovem voltou ao CEP para contar que havia conquistado o primeiro lugar no curso de Engenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Ele disse que não esqueceu daquele cuidado que teve aqui dentro”.

Em outra ocasião, durante uma viagem com alunos à Universidade Sorbonne, em Paris, Laureci conta que um jovem se aproximou do grupo ao reconhecer o emblema do colégio. Era um ex-aluno do CEP que cursava doutorado em Filosofia na instituição francesa. “Ele veio falar com orgulho que tinha estudado aqui. Aquilo me marcou muito, porque mostra como a escola continua presente na trajetória dos alunos, mesmo quando eles estão do outro lado do mundo”, diz.

Para Laureci, histórias como essas ajudam a explicar por que o Colégio Estadual do Paraná atravessa gerações mantendo sua relevância. Mais do que transmitir conhecimento, a escola se tornou um espaço onde sonhos começam a ganhar forma e trajetórias ganham direção. “Quando vemos nossos ex-alunos ocupando espaços no mundo, percebemos que cada esforço dentro da escola valeu a pena”, afirma.

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