
Com uma trajetória marcada pela atuação operacional e estratégica, o Tenente-Coronel Divonsir de Oliveira Santos, comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar (BPM), compartilha sua visão sobre os desafios da segurança pública em Cascavel e região. Defensor da "teoria das janelas quebradas" e da política de tolerância zero contra pequenos delitos, o oficial detalha como a integração tecnológica e o policiamento direcionado por inteligência têm colocado o batalhão em posição de destaque no Paraná, enquanto reforça a importância da participação cidadã e da educação familiar no combate à criminalidade.
Na última semana, o comunicador Miguel Dias conversou com Divonsir de Oliveira Santos no podcast Batendo o Guizo. Eles falaram sobre os índices de criminalidade, segurança no trânsito e estratégias de policiamento. Confira a seguir uma síntese da entrevista. O episódio completo você assiste em vídeo nas plataformas digitais do Preto no Branco.
Preto no Branco: O senhor é conhecido por ser um comandante muito presente na linha de frente. Como o senhor define sua realização pessoal e profissional hoje no comando do 6º Batalhão?
Tenente Coronel Divonsir de Oliveira Santos: Sou uma pessoa muito feliz no que faço, sou muito realizado. Hoje estou em uma fase muito boa, trabalhando em casa. Cascavel é a cidade onde resido com minha família, meus filhos e irmãos. É gratificante poder cuidar da sua gente e das pessoas que você conhece. Ser policial, para mim, é vocação, é o que gosto de fazer.
Preto no Branco: Qual é o maior desafio de comandar uma tropa em uma região tão dinâmica quanto a nossa?
Tenente Coronel Divonsir: O maior desafio de qualquer gestor é conseguir o comprometimento e o senso de pertencimento do profissional. Na Polícia Militar não é diferente. Nossos policiais hoje abraçam a causa e trabalham ombro a ombro. Nossos números mostram isso: somos hoje o primeiro batalhão do estado em número de prisões, com 3.300 registros. Isso só se faz com dedicação e o policial querendo estar ali.
Preto no Branco: Existe uma visão, por vezes crítica, de que a PM usa força excessiva. Como o senhor avalia a conduta dos seus policiais?
Tenente Coronel Divonsir: É fácil parecer perfeito quando não se faz nada. Quem faz, pode errar, mas o erro é a exceção. Hoje temos uma tropa de nível profissional elevado, treinada e monitorada por câmeras corporais. Vivemos em um "Big Brother" e isso gera transparência. O policial usa a força legal e moderada conforme a resistência. Se precisar ser firme, ele será, pois a polícia detém o monopólio da força estatal para fazer a lei ser cumprida.
Preto no Branco: Cascavel tem investido na chamada "muralha digital". Como essa tecnologia auxilia o trabalho ostensivo?
Tenente Coronel Divonsir: São ferramentas de última geração, capazes de fazer reconhecimento facial e filtrar veículos com alerta. O projeto "Olho Vivo" ajuda muito a direcionar o policiamento. Não adianta colocar centenas de policiais na rua batendo cabeça; usamos a inteligência para saber onde o crime acontece e agir de forma cirúrgica.
Preto no Branco: O senhor mencionou a "teoria das janelas quebradas". Pode explicar como aplica esse conceito no dia a dia?
Tenente Coronel Divonsir: Essa teoria diz que, se você deixa uma janela quebrada em um prédio, logo o prédio todo é depredado. O abandono passa uma mensagem de impunidade. Por isso defendo a tolerância zero. Coibindo os pequenos delitos, os grandes não acontecem. Um trânsito bem fiscalizado e firme torna a cidade segura. O marginal que vê uma blitz ou a polícia abordando um usuário de droga na praça entende que aquele lugar não é para ele.
Preto no Branco: Por falar em trânsito, os números de mortes em Cascavel ainda são alarmantes. O que falta para mudarmos essa realidade?
Tenente Coronel Divonsir: Trânsito é uma questão de segurança e de saúde pública. Muita gente ocupa leitos hospitalares por imprudência, como furar preferencial ou usar celular ao dirigir. Temos policiais que são recordistas em notificações no estado, mas só a punição não basta. Precisamos de educação. O pai não deve dizer ao filho "se não colocar o cinto a polícia multa", mas sim que ele pode se machucar. É uma mudança cultural que começa em casa.
Preto no Branco: O senhor acredita que a criminalidade está ganhando espaço? Existe uma sensação de insegurança crescente?
Tenente Coronel Divonsir: Algumas pessoas desinformadas dizem que a bandidagem está ganhando a guerra, mas o Estado é sempre mais forte. O marginal vive como rato, se escondendo. Em confrontos, ele tem a opção de se entregar. Se não o faz e reage, a resposta é a força letal. Cascavel é uma cidade muito segura e pujante. Às vezes, um crime isolado gera um pavor desproporcional. Precisamos mostrar as boas práticas para fortalecer a sensação de segurança do cidadão de bem.
Preto no Branco: Como o senhor vê a questão dos moradores de rua e o uso de drogas em áreas públicas?
Tenente Coronel Divonsir: É um problema mundial de saúde pública, mas que gera insegurança. Criamos equipes especializadas para combater o microtráfico — aquele traficante-usuário que vende na praça. Se deixarmos de aplicar a lei nos pequenos fatos, a sensação de abandono cresce. Não podemos ser complacentes. Recentemente, tive que conduzir um jovem fumando maconha em plena Avenida Brasil; aqui não é Amsterdã, a lei deve ser respeitada.
Preto no Branco: Qual o papel da família nessa estrutura de segurança?
Tenente Coronel Divonsir: Os pais não podem ser "bananas" ou complacentes. É preciso exercer autoridade. Se você tem medo de desagradar seu filho limitando horários ou amizades, nada dará certo. Ninguém ama quem não respeita. A droga é a porta de entrada para todos os males, e a educação que evita isso começa em casa, não na polícia.
Preto no Branco: Para finalizar, o que o cidadão deve fazer ao presenciar um crime? Deve intervir?
Tenente Coronel Divonsir: Jamais. Prender marginal é papel da polícia. O cidadão não deve se omitir, mas sim colaborar passando informações via 190 ou 181. Enfrentar um criminoso armado sem treinamento coloca a vida em risco. Deixe que essa parte nós fazemos. O apoio da comunidade, reconhecendo e admirando o trabalho do policial, é o que nos motiva a manter o padrão elevado.
Mín. 17° Máx. 29°