
Quatro astronautas da missão Artemis II acionaram, na quinta-feira (03), o motor da nave Orion e deixaram a órbita terrestre rumo à Lua, após permanecerem cerca de um dia ao redor do planeta. A manobra, considerada uma das mais importantes da missão, durou quase seis minutos e marcou a primeira viagem tripulada ao satélite natural desde 1972.
Durante o procedimento, a nave gerou impulso suficiente para escapar da gravidade da Terra. Segundo o astronauta canadense Jeremy Hansen, a tripulação presenciou “uma vista impressionante” a partir das janelas da cápsula. A astronauta Christina Koch relatou que viu a Terra “iluminada como se fosse de dia e banhada pelo brilho da Lua”.
A viagem até a Lua, distante mais de 384 mil quilômetros da Terra, deve durar entre três e quatro dias. A missão não prevê pouso: a nave apenas orbitará o satélite, passando pela face oculta antes de iniciar o retorno, previsto para 10 de abril.
A rota foi planejada para que a Orion seja capturada pela gravidade lunar e retorne à Terra sem necessidade de novo impulso. Após a manobra inicial, não há possibilidade de retorno direto. De acordo com a cientista Lori Glaze, “as leis da mecânica orbital guiarão nossa tripulação até a Lua, a contornarão e a trarão de volta à Terra”.
Os astronautas utilizam trajes com sistemas de suporte à vida capazes de manter oxigênio, temperatura e pressão por até seis dias em caso de emergência.
Antes de deixar a órbita terrestre, a tripulação realizou testes para validar os sistemas da nave, que nunca havia transportado humanos. Problemas iniciais, incluindo falhas no banheiro, foram corrigidos ainda durante essa etapa. “Tenho orgulho de me chamar de ‘encanadora espacial’”, afirmou Koch.
Participam da missão os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen.
A Artemis II tem como objetivo validar sistemas para futuras missões tripuladas, incluindo o retorno de astronautas à superfície lunar previsto para 2028. A NASA também pretende utilizar o programa como preparação para missões a Marte.
Segundo o comandante Reid Wiseman, a missão representa um avanço significativo na exploração espacial. “Enviar quatro pessoas a 400.000 quilômetros de distância é uma façanha hercúlea”, afirmou.
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