
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, após permitir a travessia de duas embarcações, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra envolvendo Estados Unidos e Israel. A decisão foi atribuída por Teerã à nova série de ataques israelenses no Líbano.
De acordo com a agência Fars, o bloqueio foi retomado após bombardeios israelenses contra áreas urbanas no Líbano, incluindo Beirute. O Ministério da Saúde libanês informou 89 mortes e 772 feridos. Autoridades locais relataram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que o fechamento demonstra que o país mantém “o dedo no gatilho” mesmo durante a trégua de duas semanas. A força militar exerce controle sobre o estreito e advertiu que qualquer embarcação que tente atravessar sem autorização poderá ser alvo de ataque.
O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo. Com o novo bloqueio, centenas de navios permanecem retidos no Golfo Pérsico, aguardando liberação para travessia.
O bloqueio já havia sido utilizado pelo Irã durante o conflito, provocando um dos maiores choques do petróleo em décadas. Um projeto em discussão no Parlamento iraniano prevê a cobrança de até US$ 2 milhões por navio para permitir a passagem.
Empresas de navegação adotaram cautela diante da instabilidade. A Maersk afirmou que o cessar-fogo “não fornece total segurança marítima”, enquanto a Hapag-Lloyd estima perdas semanais de cerca de US$ 55 milhões e aponta que a normalização pode levar semanas.
O cessar-fogo foi anunciado na terça-feira com mediação do Paquistão, mas há divergências sobre sua abrangência. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo não inclui o Líbano, contrariando a versão dos mediadores.
Autoridades israelenses indicaram que pretendem intensificar ataques contra o Hezbollah, aliado do Irã. Teerã, por sua vez, classificou as ações como violação do acordo e ameaça responder caso os bombardeios continuem.
Além do Líbano, foram registrados ataques em países do Golfo, como Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque e Bahrein, nas horas seguintes ao anúncio da trégua, ampliando o cenário de tensão na região.
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