
O cascavelense Roberto Maehler participou do podcast De Olho no Esporte e relembrou a trajetória marcada por títulos internacionais, superação e o desejo de retribuir ao esporte tudo o que conquistou ao longo da carreira. Campeão pan-americano no Rio de Janeiro em 2007, bronze em Guadalajara 2011 e prata em Toronto 2015, integrou a equipe brasileira de K4 1000 nas Olímpiadas de 2016, foi campeão mundial de maratona em 2021 e vice-campeão mundial de Life Saving, modalidade ligada à Marinha do Brasil. Atualmente, divide o tempo entre projetos sociais, gestão esportiva e incentivo a novos atletas.

Atleta no podcast De Olho no Esporte Foto:JPB
Roberto contou que começou na canoagem por acaso, em 1999, quando ainda morava em Cascavel. “Fui ao lago para me refrescar e acabei conhecendo a canoagem através de um projeto social”, relembrou. A evolução foi rápida. Em 2000, tornou-se campeão brasileiro. No ano seguinte, venceu o Sul-Americano e participou do Mundial Júnior, no Japão. Segundo ele, o apoio da comunidade cascavelense foi decisivo. “Cascavel se mobilizou para me ajudar a ir para esse campeonato mundial.” Nas visitas que faz a Cascavel periodicamente, Maehler afirma sentir o carinho da população e acredita que se tornou referência para novas gerações da canoagem local. “Esse reconhecimento em Cascavel me enche de orgulho.”
Para seguir competindo em alto nível, ele precisou buscar estabilidade financeira. Primeiro, ingressou no Corpo de Bombeiros do Paraná. Depois, em 2019, passou em concurso da Marinha do Brasil e mudou-se para o Rio de Janeiro. “Passei no concurso para continuar tendo condições de remar. ” Na capital fluminense, também passou a competir no Life Saving, conquistando vice-campeonato mundial. Hoje, Roberto concentra esforços no Instituto Roberto Maehler, criado para atender crianças e adolescentes por meio da canoagem, em parceria com a Marinha do Brasil, na zona norte do Rio. “Já passamos de 150 crianças e temos cerca de 40 regulares. Estamos impactando vidas e famílias. ” O projeto também já revela talentos esportivos. “Desses 40, sete treinam todos os dias e já temos campeão nacional.”
Maehler também integra a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB), participando de assembleias e decisões importantes para o esporte nacional. Segundo ele, o Brasil precisa investir mais em projetos de base e gestão esportiva. O principal objetivo agora é fortalecer o instituto e ampliar as ações pelo país. “A canoagem mudou minha vida e através dela posso transformar vidas também.” Mesmo focado no lado social, Roberto garante que segue treinando e não descarta voltar ao alto rendimento. “Se surgir uma equipe, se tiver um técnico, estou pronto para concorrer a uma vaga olímpica.”
Entre conquistas históricas e novos desafios, Roberto Maehler segue mostrando que sua maior medalha pode estar fora da água: usar o esporte para mudar destinos.
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