
Pelo menos 132 idosos foram assassinados no Paraná em 2024, de acordo com a última edição do Atlas da Violência, de 2026. O dado indica um aumento de 10,9% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 119 idosos vítimas de homicídio no Estado — o quinto com mais casos registrados no país. É para fazer frente a desafios como esse que a campanha Junho Violeta, implementada por meio da Lei nº 20.252/2020, promove a conscientização e a prevenção da violência contra a pessoa idosa no Paraná.
Com o símbolo do laço violeta, a campanha estimula a sensibilização da população paranaense por meio de ações de mobilização, prevenção e conscientização, como cursos, seminários e congressos. A lei também incentiva a iluminação da fachada de edifícios públicos e privados com luzes na cor violeta.
O autor da lei, deputado Cobra Repórter (PSD), ressalta a importância da campanha para reforçar a necessidade de respeito, cuidado e garantia de direitos a essa população. "A violência muitas vezes acontece de forma silenciosa, dentro de casa, e a conscientização é fundamental para incentivar denúncias e ampliar a proteção dessas pessoas."
Para o deputado, o crescimento nas denúncias de abusos contra idosos é sintoma de uma maior conscientização da população e de maior confiança nos canais de denúncia. "O fortalecimento das redes de apoio e dos canais de denúncia tem sido essencial para combater a violência e garantir mais segurança e qualidade de vida aos idosos", afirma o parlamentar.
Os dados oficiais sobre violência doméstica contra essa população no Paraná corroboram a necessidade da campanha. Somente em Curitiba, os registros de agressões físicas e morais contra idosos tiveram crescimento acumulado de 37% entre 2022 e 2025, segundo dados da Prefeitura da Capital. No total, 86% dos casos correspondem a ocorrências de violência doméstica. Em 2024, foram computadas 840 ocorrências de agressões a idosos na Capital. Números parciais de 2025 já somam 762 notificações.
A campanha se torna ainda mais relevante diante do envelhecimento da população paranaense. Divulgada em abril, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2025 (PNAD Contínua) revela que a população idosa de Curitiba já supera a de crianças e adolescentes de até 14 anos. Os idosos representam 17,9% dos habitantes da Capital — 328 mil pessoas, 38 mil a mais do que a faixa etária de até 14 anos. No Brasil, crianças representam 19,5% da população e idosos, 16,6%; no Paraná, os percentuais são de 19,1% e 16,7%, respectivamente.
Legislação
A preocupação com a proteção e os direitos da população com mais de 60 anos no Paraná se reflete na produção legislativa da Alep. Ao longo do último ano, o Parlamento paranaense avançou no debate e na aprovação de normas voltadas ao fortalecimento da proteção da pessoa idosa no Estado.
É o caso da Lei nº 22.690/2025, de iniciativa do Executivo, que cria um banco de projetos no âmbito do Fundo Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (FEDIPI/PR), com o objetivo de incentivar e fomentar propostas de organizações da sociedade civil, bem como captar recursos oriundos de doações de pessoas físicas e jurídicas.
No mesmo período, foi sancionada a Lei nº 22.717/2025, de autoria do deputado Ney Leprevost (Republicanos), que institui a campanha permanente de combate ao etarismo e cria o Dia Estadual de Combate ao Etarismo, celebrado em 1º de outubro — data que coincide com o Dia Nacional do Idoso e o Dia Internacional da Terceira Idade.
Em 2025, foi protocolado na Alep o PL 544/2025, que inclui casos de desaparecimento de idosos no escopo do Alerta para Resgate de Pessoas (ARP), ampliando a abrangência da política de contingência do Executivo, atualmente voltada apenas a crianças e adolescentes desaparecidos. O texto é de autoria da deputada Flávia Francischini (PL), 2ª secretária da Casa. O Parlamento também passou a debater o PL 1057/2025, de Leprevost, que visa proibir a nomeação para cargos públicos de pessoas condenadas por crimes de violência contra idosos.
Também de autoria de Leprevost, o PL 1240/2025 pretende estabelecer diretrizes para a implementação da Política Estadual de Atendimento Médico Domiciliar Programado a Idosos e Pessoas com Deficiência. Mais recentemente, o deputado Ricardo Arruda (PL) apresentou o PL 120/2026, que dispõe sobre a fiscalização de asilos, visando assegurar a proteção integral dos direitos da pessoa idosa, garantir condições adequadas de atendimento, coibir situações degradantes e fiscalizar o cumprimento das normas sanitárias.
Atividades
No âmbito da lei que institui o Junho Violeta, o governo do Estado promoverá uma série de ações de sensibilização da população. A Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná (Semipi) realizará, ao longo do mês, cinco webinários temáticos semanais reunindo especialistas, profissionais da área, representantes da sociedade civil e idosos.
Segundo a pasta, os debates abordarão temas como os aspectos biológicos e sociais do envelhecimento, o fortalecimento dos vínculos familiares, a prevenção de violências e os canais de denúncia com base no Estatuto da Pessoa Idosa. Os webinários ocorrerão pela plataforma Zoom, com duração aproximada de duas horas cada. Os interessados em participar devem se inscrever em cada encontro por meio de links que serão divulgados nas redes sociais da instituição.
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