
Cascavel caminha para um dos maiores avanços estruturais de sua história recente. O município, que se consolida como polo econômico e logístico do Oeste do Paraná, deverá ganhar um moderno Centro de Eventos, concebido para projetar a cidade a um novo patamar no turismo de negócios, feiras e grandes encontros setoriais. A obra será viabilizada com R$ 200 milhões anunciados pelo governador Ratinho Junior, valor que deverá compor o convênio para execução do projeto.
O projeto para o empreendimento foi custeado pela Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), que coordena desde 2022 um amplo grupo de trabalho integrado pela Codesc e por diversas entidades regionais. Quem, fala do projeto é Márcio Blazius, presidente da Acic, que detalha o processo de planejamento e o desenho final da estrutura.
Segundo Blazius, a ideia começou a tomar forma quando a gestão municipal anterior, do então prefeito Leonaldo Paranhos, atual secretário de Estado de Turismo, destinou uma área inicial de 100 mil metros quadrados para o centro. Porém, estudos posteriores apontaram que a demanda real exigia ao menos 150 mil metros quadrados — e, por isso, novas análises de localização foram realizadas. A Codesc avaliou quatro possíveis pontos na cidade e, após debates técnicos e negociações com a prefeitura e na atual gestão de Renato Silva, foi definida uma área na região Oeste. O terreno total hoje soma 280 mil metros quadrados, permitindo não apenas a implantação do Centro de Eventos, mas também futuras expansões.
Projeto é detalhado pelo presidente da Acic, Márcio Blazius
A estrutura foi pensada para acompanhar o crescimento acelerado de Cascavel e região, que tem projeção demográfica de alcançar 500 mil habitantes até 2035. “Precisamos pensar uma cidade grande, preparada para 30 anos à frente. Um centro de eventos subdimensionado hoje se tornaria obsoleto rapidamente”, explicou Blazius.
O complexo contará com:
• Pavilhão de exposições com 20 mil m² e pé-direito de 10 metros, capaz de receber inclusive máquinas de grande porte, como colheitadeiras;
• Área de apoio completa, com cozinhas, banheiros, salas técnicas e estruturas laterais;
• Rua central coberta de quatro pistas para embarque e desembarque;
• Praça de alimentação para 1.600 pessoas;
• Teatro/anfiteatro para 2.300 espectadores;
• Bloco de salas modulares com 5 mil m²;
• 63 mil m² de área coberta total;
• Estacionamento para 4 mil carros;
• Mais de 130 mil m² livres destinados a expansão e a eventos ao ar livre de grande porte — inclusive megaespetáculos ou festivais.
De acordo com a Acic, a concepção segue padrões de centros de eventos internacionais e prioriza a multifuncionalidade. O objetivo é atrair feiras setoriais, congressos, shows, encontros empresariais e eventos técnicos que hoje migram para cidades como Foz do Iguaçu ou Curitiba. “Dizem que Cascavel não tem muitos eventos. Não tem porque não existe onde realizá-los. Esta estrutura vai mudar essa realidade”, destacou Blazius.
A equipe técnica realizou estudos de viabilidade econômica antes de apresentar o projeto ao Estado. Segundo Blazius, os dados confirmam o potencial de retorno. “Quando um grande evento vem para Cascavel, todo o ecossistema econômico ganha: hotéis, gastronomia, transporte, comércio. É dinheiro de fora que circula aqui, e cada real gira várias vezes antes de ir embora”, explicou.
Ele cita eventos como o Show Rural, feiras agroindustriais e grandes exposições de transporte que movimentam bilhões em outras cidades. “Por que não aqui? Temos condições de receber eventos internacionais. Basta ter o espaço.”
Como havia risco de que o processo burocrático atrasasse a liberação dos recursos estaduais, as entidades decidiram custear integralmente os projetos arquitetônicos e executivos. A Acic investiu R$ 500 mil, valor significativamente inferior ao estimado inicialmente, que era de R$ 1,5 milhão. A negociação com fornecedores permitiu reduzir custos e entregar o pacote completo ao governo.
Com isso, os projetos foram concluídos e já estão nas mãos da administração pública municipal e estadual. A expectativa é que o governador Ratinho Junior formalize, nos próximos dias, a assinatura do convênio, consolidando o investimento de R$ 200 milhões — valor que atende ao orçamento total previsto de R$ 199 milhões. Blazius afirma que, embora obras públicas estejam sujeitas a reajustes, há segurança de que o montante viabilizará a construção, somados aos R$ 50 milhões anunciados pelo deputado federal Nelsinho Padovani.
Como o recurso depende do orçamento estadual de 2026, o início da obra só deverá ocorrer após a liberação oficial prevista para o próximo ano. A expectativa da Acic é que o processo licitatório seja concluído até 30 de abril de 2026, respeitando os prazos exigidos pela legislação eleitoral.
Se tudo ocorrer dentro do cronograma, a construção deverá levar três anos, permitindo que o Centro de Eventos esteja concluído até 2030.
O modelo de operação do complexo ainda está em debate, mas a tendência é que seja adotada uma parceria público-privada (PPP), com gestão profissionalizada por empresas especializadas em grandes eventos. “Nada melhor do que colocar um equipamento dessa magnitude nas mãos de quem vive disso e busca eficiência. A gestão privada tende a operar melhor”, afirmou Blazius.
O presidente da Acic destacou que o projeto é resultado da união entre setor produtivo, prefeitura, governo do Estado e sociedade civil organizada. A participação da Codesc, do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) e de diversas entidades empresariais foi essencial para que o andamento ocorresse com agilidade. “Quando todos olham para o mesmo norte, as coisas caminham. Não estamos pautando o poder público, mas estamos sendo ouvidos — e isso faz diferença”, disse.
Blazius também ressaltou o envolvimento do deputado Nelson Padovani, que, além de apoiar financeiramente o projeto, tem destinado recursos à região em outras frentes. “Cascavel precisaria de mais seis ou sete deputados para suprir todas as necessidades. Mesmo assim, com articulação, estamos conquistando avanços importantes.”
O dirigente lembra que todo o trabalho realizado na Acic é voluntário. “São 31 diretores atuando diariamente, sem remuneração, pensando no desenvolvimento de Cascavel. É muito trabalho, mas é gratificante”, afirmou.
Com o Centro de Eventos, Cascavel deverá ingressar definitivamente no circuito dos grandes encontros nacionais e internacionais. A nova estrutura permitirá atrair feiras de grande impacto econômico, impulsionar o turismo de negócios e ampliar a visibilidade da cidade — e de todo o Oeste paranaense — no cenário nacional.
“Estamos construindo um equipamento para gerações. É para 2050. Cascavel está crescendo rápido e precisa pensar grande. O Centro de Eventos é a prova de que, quando o setor produtivo, o poder público e a comunidade se unem, as coisas acontecem”, concluiu Blazius.
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