
O cenário político de Cascavel e do Oeste paranaense passa por um momento de definições estratégicas e grandes expectativas em relação à continuidade de projetos estruturantes. No centro desse debate, o presidente da Câmara Municipal, Tiago Almeida, desponta como uma das vozes que defendem a renovação aliada à competência técnica e à representatividade local.
Com um mandato marcado pela expressiva votação e pela gestão eficiente do Legislativo, ele analisa os desafios da saúde, a infraestrutura regional e a importância de manter os recursos públicos focados no desenvolvimento da "casa" cascavelense.
Há poucos dias, o podcast Batendo o Guizo, de Preto no Branco, recebeu Tiago Almeida e também o médico e ex-secretário de Saúde, Miroslau Bailak. Na ocasião, o comunicador Miguel Dias conversou com Tiago sobre o cenário eleitoral, a gestão da Câmara Municipal e as prioridades para o desenvolvimento de Cascavel.
Confira a seguir uma síntese da entrevista. O episódio completo você assiste em vídeo nas plataformas digitais do Preto no Branco.
Preto no Branco: Vereador, após o fechamento da janela partidária, houve muita especulação sobre sua mudança de legenda. Por que a decisão de permanecer no Republicanos?
Tiago Almeida: Foi uma definição que não foi fácil. Recebi convites de nomes fortes, como o Alexandre Curi e o senador Sérgio Moro para ingressar no PL, além de conversas com o próprio prefeito Paranhos e Renato Silva. Minha maior preocupação era o mandato, pois não havia janela partidária para o meu caso específico de vereador no exercício, e eu correria um risco jurídico. Mas estou muito bem no Republicanos. Temos a dona Odina na presidência e a vinda do deputado Márcio Pacheco fortalece o partido. É hora de pensar daqui para frente, em novas construções e nessa geração política que vem aquecendo Cascavel.
Preto no Branco: O senhor mencionou que o Republicanos busca fazer seis cadeiras na Assembleia. Qual é o seu objetivo pessoal nessa disputa e como pretende se diferenciar dos nomes já consolidados?
Tiago Almeida: Olha, o projeto do partido é audacioso e eu tenho falado claramente: eu quero apenas uma dessas cadeiras. Não importa se for a sexta, eu quero estar lá para representar a população. O que me diferencia é o trabalho que apresentamos desde o primeiro dia de mandato como vereador. Existem pessoas que me atacam, o que é normal na política, mas o que me importa é o eleitor que acredita no meu trabalho. Eu cumpro meu mandato de quatro anos com ética e agora me coloco à disposição para levar essa mesma seriedade para o Paraná.
Preto no Branco: Cascavel tradicionalmente "exporta" muitos votos para candidatos de fora, os chamados paraquedistas. Como convencer o eleitor a apostar em um nome local como o seu?
Tiago Almeida: É um trabalho de formiguinha. Precisamos mostrar que o deputado de fora vem aqui, ganha 10 mil votos e depois só passa por Cascavel de avião. O cidadão precisa pensar: "Vou votar em quem é daqui, em quem eu conheço a história". Nós temos bons nomes na cidade, da direita, da esquerda, do Republicanos... O que não podemos é aceitar quem só faz barulho ou tira foto com arma na mão mas não tem prática. Eu conheço o meu eleitor, sei que fiz 1.800 votos em um único colégio eleitoral enfrentando 17 candidatos. Tenho moral e credibilidade para pedir esse voto de confiança.
Preto no Branco: O senhor é jovem, tem 33 anos, e está no primeiro mandato de vereador. A falta de "estrada" na política estadual não pode ser um obstáculo?
Tiago Almeida: Pelo contrário, vejo como renovação com preparo. Muitos grandes políticos começaram assim. Eu não herdei sobrenome, vim de baixo, fui cobrador de ônibus. Estou terminando minha faculdade de Direito e já planejo um mestrado em Gestão Pública. A experiência que adquiri presidindo a Câmara de uma das maiores cidades do estado, entregando o primeiro lugar em transparência no Paraná, vale muito mais do que décadas de política antiga. Estou me preparando tecnicamente para não ser apenas mais um, mas alguém que saiba exatamente como buscar recursos e abrir portas para o Oeste.
Preto no Branco: O senhor foi o vereador mais votado na última eleição. Como está a articulação para expandir essa base para a região Oeste visando novos desafios?
Tiago Almeida: Estamos andando e o Republicanos, sob a presidência do Pedro Lupion, deixou o Oeste aberto para nosso trabalho. O deputado Márcio Pacheco, em seu terceiro mandato, também abre portas importantes. Mas o foco principal precisa ser o voto útil. Cascavel tem cerca de 190 mil eleitores úteis e precisamos conscientizá-los sobre a importância de eleger quem é daqui. O deputado é quem traz a emenda para manter o hospital, para o Hospital do Câncer, para o novo Hospital Municipal. Minha meta é trabalhar o Oeste, mostrando o que fizemos desde que fui eleito, com o "trabalho formiguinha".
Preto no Branco: O cenário de polarização nacional entre direita e esquerda deve influenciar as disputas locais. Como o senhor enxerga esse impacto?
Tiago Almeida: Minha visão é que quem perde com a polarização extrema é a população. Será uma das eleições mais difíceis para candidatos a deputado e ao Senado. O Paraná é hoje uma referência com o governador Ratinho Júnior, e Cascavel também mostrou resultados. O povo é quem contrata o funcionário público através do voto; se a população acha que o governo está bom, ela mantém, se não, ela busca a renovação. Eu defendo que tenhamos competência para mostrar nosso produto e nossa capacidade de trabalho, independentemente desse embate ideológico.
Preto no Branco: Falando em gestão, como o senhor avalia a situação das grandes obras em Cascavel, como o Hospital do Trabalhador e o Centro de Eventos?
Tiago Almeida: Cascavel vive um momento ímpar de obras, mas é preciso representatividade para garantir que o dinheiro saia do papel. O governador Ratinho Júnior tem sido um grande parceiro, mas precisamos de deputados que cheguem lá e digam: "Somos a quinta maior cidade do estado e não podemos parar". O Hospital do Trabalhador, por exemplo, é um projeto de mais de uma década que agora deve avançar como um hospital estadual. O município sozinho não consegue manter essas estruturas; é uma articulação tripartida. Precisamos de gente vocacionada para buscar essas verbas continuamente.
Preto no Branco: Alguns setores criticam o foco em obras específicas ou emendas para comunidades, enquanto a cidade sofre com buracos. Como o vereador responde a isso?
Tiago Almeida: Primeiro, é preciso esclarecer que vereador não faz rua; vereador fiscaliza e articula. Temos as emendas impositivas, que direcionamos para pontos importantes, como o portal da comunidade ucraniana, que fomenta o turismo. Sobre o asfalto, Cascavel tem vias de 20 ou 30 anos que não suportam mais apenas o tapa-buraco. O que estamos fazendo agora, em conjunto com a prefeitura, é o maior programa de reperfilamento da história. É preciso paciência, pois temos 3.500 km de estradas rurais e um perímetro urbano enorme. As obras estão acontecendo, mas dependem de processos licitatórios que nem sempre são rápidos.
Preto no Branco: Como o senhor lida com as críticas e ataques que surgem naturalmente para quem ocupa a presidência da Câmara?
Tiago Almeida: Estou aprendendo que prego que se destaca leva martelada. Na política, se você não quer apanhar, tem que se esconder, e eu não vim para me esconder. Aceito críticas com verdade, mas as mentiras ou tentativas de achaque eu filtro e, se necessário, levo ao Judiciário. Venho de uma família simples, minha mãe é zeladora até hoje, fui cobrador de ônibus e entregador de panfletos. Não vim para a política para fazer o que sempre foi feito. Minha credibilidade vem da transparência e do reconhecimento dos 4.243 eleitores que confiaram em mim.
Preto no Branco: Quais resultados práticos o senhor destaca da sua gestão à frente do Legislativo?
Tiago Almeida: Muitos diziam que eu não tinha maturidade ou experiência por estar no primeiro mandato, mas os resultados provam o contrário. Fomos o time que mais economizou e ganhamos o selo diamante de transparência do Tribunal de Contas, com 98,11%. Entre as quatro maiores cidades do Paraná, a Câmara de Cascavel ficou em primeiro lugar. Isso é ética e gestão pública levada a sério. Estou me preparando constantemente, terminando minha segunda faculdade, desta vez em Direito, e já planejo um mestrado em Gestão Pública. Aos 33 anos, meu objetivo é mostrar que a juventude pode, sim, administrar com eficiência e responsabilidade.
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