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Algodão ganha espaço no Paraná com foco em sustentabilidade e rotação

A valorização das fibras naturais e os benefícios da rotação de culturas incentivam produtores a investir no algodão, em uma tentativa de recuperar espaço para a cotonicultura no Paraná.

Tissiane Merlak
Por: Tissiane Merlak Fonte: Assessoria
13/10/2026 às 08h52
Algodão ganha espaço no Paraná com foco em sustentabilidade e rotação
Paraná busca ampliar a cotonicultura, que pode contribuir para a produtividade da soja e a diversificação das lavouras.

A produção de algodão volta a despertar o interesse de agricultores do Paraná, impulsionada pela procura por fibras naturais e pelos benefícios da cultura para o solo. O Estado, que já liderou a produção nacional, busca ampliar a área cultivada com apoio técnico e organização da cadeia produtiva.

Em Santo Inácio, no Norte do Paraná, o produtor rural Ricardo Padulla arrendou uma área de 35 hectares para o plantio de algodão. A expectativa é iniciar a semeadura até a primeira quinzena de novembro.

O interesse surgiu após avaliar a adaptação da cultura às condições da região e a estrutura de comercialização. Segundo Padulla, o algodão apresenta potencial em solos de arenito e pode suportar períodos de estiagem.

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“É uma cultura que se adapta bem ao solo de arenito e que tolera as adversidades climáticas que a gente tem, como os veranicos. Então, acredito que o algodão se adapte até melhor do que a soja na nossa região. E como é uma cadeia bem-organizada, resolvi apostar”, afirma.

Procura por fibras naturais abre oportunidades

O movimento de valorização das fibras naturais também contribui para o interesse pelo algodão. A preocupação com a sustentabilidade e os efeitos da poluição por microplásticos tem ampliado o debate sobre os materiais utilizados na fabricação de roupas.

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Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apontam que cerca de 35% dos microplásticos encontrados nos oceanos têm origem na lavagem de tecidos sintéticos.

Um estudo da Universidade de Newcastle, na Austrália, encomendado pelo World Wide Fund for Nature (WWF), também estimou que cada pessoa consome, em média, cinco gramas de plástico por semana. O material pode chegar ao organismo por meio da água, dos alimentos e do ar.

O tema esteve entre os assuntos discutidos no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em setembro, em Belo Horizonte (MG). O Sistema FAEP, em parceria com a Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), levou ao evento uma comitiva de 20 produtores do Paraná.

Para Michel Rodrigues dos Santos, gerente de Políticas Públicas e Advocacy do WWF-Brasil, o agronegócio pode contribuir para enfrentar o problema ao oferecer alternativas aos produtos que geram resíduos plásticos.

Almir Montecelli, presidente da Acopar, também vê espaço para o algodão diante da discussão sobre os tecidos sintéticos e da procura por roupas produzidas com fibras naturais.

Paraná quer recuperar espaço na produção

O Paraná já teve participação expressiva na cotonicultura brasileira. Na safra de 1991/92, o Estado era o maior produtor de algodão do país, com 709 mil hectares cultivados, o equivalente a 36% da área nacional.

A infestação do bicudo-do-algodoeiro, a expansão da soja e as dificuldades econômicas contribuíram para a redução da atividade. Atualmente, o Paraná tem 1,7 mil hectares destinados ao algodão, área equivalente a aproximadamente 0,2% do total registrado no auge da cultura.

A Acopar atua para ampliar a produção, oferecendo assistência técnica, maquinário para colheita e transporte e apoio na comercialização. O objetivo é ajudar os agricultores a superar as dificuldades técnicas e operacionais da atividade.

José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá e produtor de algodão há três safras, avalia que a procura por produtos sustentáveis representa uma oportunidade para o Estado retomar a atividade.

“O Paraná pode aproveitar essa oportunidade para se restabelecer na produção de algodão, por ser extremamente diversificado na produção rural e por já ter sido o maior produtor de algodão do Brasil. Temos uma oportunidade boa de voltar a trabalhar com essa cultura”, afirma.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, também aponta a tecnologia, a assistência técnica e a organização da cadeia como fatores que podem contribuir para a retomada.

Rotação de culturas pode elevar produtividade

Além do mercado para as fibras naturais, o algodão oferece vantagens agronômicas quando integrado à rotação de culturas. A prática ajuda a interromper ciclos de pragas e doenças e pode melhorar as condições do solo para as lavouras seguintes.

Segundo Wilson Paes, consultor da Acopar e ex-pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), atualmente integrado ao Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), a produtividade da soja pode aumentar em até 20% após o cultivo do algodão.

“Após uma lavoura de algodão, a produtividade da soja tende a aumentar até 20%. Então, podemos dizer que o algodão aumenta a lucratividade do produtor de soja”, afirma.

Paes explica que o cultivo exige acompanhamento técnico, atenção ao desenvolvimento das plantas e monitoramento de pragas. A assistência oferecida pela Acopar busca auxiliar os produtores nessas etapas.

Borghi também relata resultados positivos com a cultura. Ao longo de três safras, ele ampliou a área plantada de 20 para 100 hectares.

Para o produtor, a diversificação permite distribuir os riscos da atividade rural e criar novas possibilidades de rendimento, além dos benefícios obtidos com a rotação de culturas.

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