
A soja passou a fazer parte do Programa de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural Estadual do Paraná após mobilização do Sistema FAEP. Neste ano, R$ 7,6 milhões foram destinados à cultura, dentro dos R$ 22 milhões disponibilizados pelo Estado para diferentes atividades agrícolas.
A inclusão ocorreu por meio da Resolução 114, de 29 de julho de 2026, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). Em agosto, quase 3,1 mil apólices de seguro para a soja foram contratadas, esgotando os recursos destinados à cultura nesta temporada.
Segundo o Sistema FAEP, a inclusão representa um primeiro passo para ampliar a proteção aos produtores e abre espaço para o fortalecimento do programa nos próximos anos.
“Desde o início do ano vínhamos reforçando a importância de incluir a soja no programa. Afinal, a cultura representa quase 20% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná, ou seja, quase R$ 42 bilhões. Ao mesmo tempo, também tem sofrido com os eventos climáticos, riscos fitossanitários e desafios do manejo do solo”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Ele também defendeu o aumento dos recursos destinados ao programa. “Esperamos que o próximo governador e secretário de agricultura trabalhem para elevar esse montante, a fim de atender ainda mais produtores rurais”, complementou.
A inclusão da soja no programa estadual de seguro rural integra as propostas do Plano Diretor do Agronegócio Paranaense 2027/30, elaborado pelo Sistema FAEP e pelos sindicatos rurais. O documento foi entregue em agosto aos candidatos ao governo do Paraná.
Para o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido, a atuação do Sistema FAEP foi decisiva para a inclusão da cultura.
“A inclusão da soja no programa de seguro rural paranaense contou com a atuação decisiva do Sistema FAEP”, afirmou Garrido. Segundo ele, a medida ajuda a proteger os produtores contra quebras de safra e a prevenir o endividamento.
O diretor também destacou que a subvenção reduz o custo das apólices e facilita o acesso ao crédito agrícola, contribuindo para a continuidade das atividades no campo em períodos de perdas.
Criado em 2009 pela Lei Estadual 16.166, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do Paraná busca reduzir os riscos da produção agropecuária e complementar a política federal de seguro rural.
Ao longo dos anos, o programa foi ampliado para diferentes culturas. A resolução mais recente prevê atendimento para abacaxi, algodão, ameixa, arroz, banana, batata, café, caqui, cebola, cevada, feijão, kiwi, laranja, maçã, mamão, maracujá, melancia, milho de 1ª e 2ª safra, nectarina, pera, pêssego, soja, sorgo, tangerina, tomate, uva, aquicultura e pecuária.
A gestão financeira é feita pela Fomento Paraná, enquanto seguradoras privadas participam voluntariamente do programa.
Entre 2009 e 2026, o Estado destinou R$ 112,7 milhões em subvenções, alcançando aproximadamente 5,2 milhões de hectares segurados.
Somente em 2026, foram liberados R$ 22 milhões. Desse total, 99,18% foram aprovados em 7.769 apólices contratadas, abrangendo 341 mil hectares.
Para o presidente do Sistema FAEP, o programa precisa passar por melhorias tanto na operação quanto no orçamento.
“Diante das evoluções tecnológicas do mercado segurador, o programa precisa de um aperfeiçoamento operacional em relação aos processos. Além disso, no aspecto financeiro, o volume de recursos precisaria aumentar”, afirmou Meneguette.
Entre as propostas apresentadas pelo Sistema FAEP ao futuro governador, Sergio Moro, estão a ampliação progressiva do orçamento estadual para a subvenção e a criação de uma meta plurianual de crescimento dos recursos.
A entidade também propõe a destinação prévia de recursos por cultura, a priorização de áreas com maior risco climático e medidas para ampliar a participação das seguradoras e melhorar a gestão operacional do programa.