
O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos importados e o agravamento da crise política e militar na Venezuela foram fatores decisivos para destravar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado nesta sexta-feira (09) pelos países do bloco europeu. A decisão foi tomada em Bruxelas, após mais de 25 anos de negociações marcadas por impasses políticos, ambientais e agrícolas.
Segundo fontes diplomáticas, a mudança no cenário internacional acelerou um processo que estava praticamente congelado. O aumento das tarifas adotadas pelos Estados Unidos reacendeu temores na Europa sobre dependência excessiva do mercado americano, enquanto a instabilidade na Venezuela elevou a preocupação com segurança regional e influência geopolítica na América do Sul. Diante desse contexto, o acordo passou a ser visto como estratégico para ampliar parcerias comerciais e reforçar alianças fora do eixo Washington-Pequim.
O tratado prevê a redução gradual de tarifas de importação e a ampliação do acesso a mercados entre os dois blocos, formando uma área de livre comércio com cerca de 700 milhões de consumidores. Para a União Europeia, o acordo representa uma forma de proteger cadeias produtivas e garantir novos destinos para exportações industriais. Para os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — o entendimento abre espaço para ampliar vendas externas, especialmente de produtos agropecuários.
Diplomatas europeus afirmam que o endurecimento da política comercial dos Estados Unidos funcionou como um “alerta estratégico”. A percepção foi de que a UE precisava agir com rapidez para não perder espaço em mercados emergentes e reduzir riscos diante de um comércio global mais fragmentado.
Ao mesmo tempo, a crise venezuelana, marcada por tensões internas e repercussões regionais, reforçou a avaliação de que a Europa deveria fortalecer vínculos econômicos e políticos com países considerados estáveis da América do Sul. O acordo com o Mercosul passou, assim, a ter também um componente geopolítico, além do econômico.
Apesar do avanço, o tratado ainda enfrenta resistência interna em alguns países europeus, sobretudo de setores agrícolas, que temem concorrência de produtos sul-americanos. O texto agora segue para assinatura formal e posterior análise do Parlamento Europeu, etapa decisiva para a entrada em vigor do acordo.
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