
Empresas do agronegócio brasileiro já começaram a refazer seus planos de expansão após a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, firmada neste sábado (17), após cerca de 25 anos de negociações. O tratado prevê redução de tarifas e ampliação de cotas de exportação ao longo de 15 anos, com expectativa de que o setor agropecuário seja o principal beneficiado no Brasil.
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o agronegócio pode ampliar suas exportações em até US$ 6,2 bilhões até 2040. Carnes e óleos vegetais, como o de soja, aparecem entre os produtos com maior potencial de crescimento. Atualmente, a União Europeia compra cerca de US$ 25 bilhões por ano do campo brasileiro.
De acordo com o levantamento, a produção do agronegócio deve crescer cerca de 2%, o equivalente a aproximadamente US$ 11 bilhões. Considerando todos os setores da economia envolvidos no acordo, a projeção é de crescimento de 0,46% no Produto Interno Bruto (PIB), o que representa uma adição estimada de US$ 9,3 bilhões. O Brasil teria o maior ganho relativo de PIB entre os países participantes do acordo.
O estudo aponta ainda aumento de 1,19% nos investimentos europeus no país e ganho de 0,41% no salário real. A aproximação entre os dois blocos forma um mercado de cerca de 700 milhões de pessoas, em um cenário de intensificação da disputa comercial global.

No setor de aves, o acordo amplia em 180 mil toneladas anuais a cota de exportação isenta de tarifas para carnes de frango e outras aves. Na carne suína, será criada, pela primeira vez, uma tarifa preferencial para o Mercosul, com cota final de 25 mil toneladas por ano e valor cerca de 60% inferior ao aplicado fora da cota.
A carne bovina também será beneficiada, com a previsão de venda de até 99 mil toneladas anuais do Mercosul para a Europa, com redução gradual das tarifas. Já no segmento de ovos, o acordo estabelece cotas específicas para ovos processados e albumina, abrindo novas possibilidades de acesso ao mercado europeu.
Na fruticultura, produtores de uva avaliam que a eliminação gradual das tarifas pode tornar o produto brasileiro mais competitivo na Europa, ampliando o espaço em redes de supermercados do continente e reduzindo a dependência de outros mercados.

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