
O Ibovespa superou pela primeira vez os 190 mil pontos durante o pregão desta quarta-feira e encerrou o dia em alta de 2,03%, aos 189.699 pontos. O principal índice da Bolsa de São Paulo, a B3, acumula valorização de 18% nos 42 primeiros dias do ano. No câmbio, o dólar caiu 0,18% e fechou cotado a R$ 5,1869, no menor patamar desde o fim de maio de 2024.
O movimento é impulsionado principalmente pelo investidor estrangeiro, que já ingressou com R$ 30,5 bilhões no mercado acionário brasileiro em 2026. O volume supera em 20% o total aplicado pela classe em todo o ano de 2025. Esta foi a 11ª máxima histórica do índice apenas neste ano.
Analistas apontam que a desconfiança com a institucionalidade do governo de Donald Trump e questionamentos sobre a independência do Federal Reserve têm levado investidores globais a reduzir exposição aos ativos americanos. Parte dos recursos migra para mercados emergentes, como o Brasil.
Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, afirma que “quem patrocina a alta do mercado brasileiro é o estrangeiro”, citando ruídos da administração dos EUA e a questão da Groenlândia como fatores que intensificaram a rotação de recursos.
Ricardo França, da Ágora Investimentos, avalia que a politização do Fed gera instabilidade e amplia a percepção de risco. Já Alexandre Sant’Anna, da ARX Investimentos, aponta dúvidas sobre os retornos em inteligência artificial nos Estados Unidos como mais um fator para diversificação.
Com forte peso de commodities, empresas como Petrobras e Vale acumulam alta de 25% em 2026 e atingiram nesta quarta-feira seus maiores valores históricos: R$ 41,06 e R$ 90,09, respectivamente.
A redução anunciada da taxa Selic, hoje em 15%, também sustenta o desempenho da Bolsa ao diminuir custos financeiros e estimular a atividade econômica. Milena Landgraf, da Jubarte Capital, afirma que declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçaram a expectativa de corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião.
Apesar da forte valorização, analistas admitem a possibilidade de realizações no curto prazo, mas avaliam que o fluxo internacional deve continuar ditando os rumos do índice ao menos até o fim do primeiro semestre.
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