
Um ano depois da assinatura de contratos e dez meses desde a retomada da cobrança de pedágio no oeste do Paraná, com a entrada em operação do Lote 6 da nova concessão de rodovias, a EPR Iguaçu faz um balanço positivo das ações executadas e detalha o cronograma das próximas obras. O trecho sob responsabilidade da concessionária soma 662 quilômetros, ligando Foz do Iguaçu a Prudentópolis pela BR-277 e conectando Cascavel ao Sudoeste do Estado, até Pato Branco, por meio da BR-163 e rodovias estaduais.
Desde o início da operação, a concessionária afirma ter concentrado esforços na recuperação da malha viária, considerada degradada em vários pontos. Segundo o diretor-executivo da EPR, Silvio Caldas, o foco inicial foi garantir segurança e trafegabilidade aos usuários antes do início das grandes intervenções estruturais previstas em contrato.
Desde o início da operação efetiva, a EPR realizou, até o início deste mês cerca de 110 mil atendimentos aos usuários, uma média de aproximadamente 450 por dia. Os serviços incluem apoio mecânico, atendimento a acidentes, panes elétricas, problemas com pneus e auxílio a veículos parados nas rodovias. Caldas afirma que a concessionária está com 11 bases operacionais, com guinchos e viaturas de inspeção atuando 24 horas por dia.
De acordo com Caldas, boa parte dos acidentes registrados está relacionada ao comportamento dos motoristas, especialmente ultrapassagens em locais proibidos e desrespeito à sinalização. Ele reforça que os períodos de obras exigem atenção redobrada dos condutores, já que há mudanças temporárias no tráfego, que devem se intensificar nos próximos meses.
Entre as principais ações já realizadas estão as obras de requalificação do pavimento. A concessionária disse que mais de 500 quilômetros de faixas de rolamento passaram por recuperação, além da substituição e reforço da sinalização horizontal. Foram executados cerca de 500 mil metros quadrados de repintura e instaladas mais de 230 mil tachas refletivas, dispositivos que auxiliam a condução noturna e em condições de chuva.
Um dos trechos mais críticos, segundo a EPR, foi a BR-163 entre Cascavel e o Sudoeste. No segmento com pavimento de concreto, a concessionária já substituiu mais de 500 placas danificadas. Caldas explica que esse tipo de obra exige interdições mais longas, devido ao tempo de cura do asfalto de concreto, o que gera transtornos temporários, apesar da sinalização especial adotada.
O contrato do Lote 6 prevê a duplicação de cerca de 460 quilômetros, o equivalente a aproximadamente 70% de toda a extensão concedida. As obras de duplicação começam a ser entregues a partir do terceiro ano da concessão e seguem até o nono ano, ou seja, de 2027 a 2035. No primeiro ano de entregas estão previstos 35 quilômetros duplicados, distribuídos em três frentes de trabalho, nos trechos de Matelândia, Pato Branco e Guarapuava.
No eixo Cascavel–Santa Tereza do Oeste–Céu Azul–Matelândia, a duplicação está programada para ocorrer entre o quarto e o sexto ano do contrato, ou seja, na reta final da década. “Haverá anos com ritmo mais intenso de obras, chegando a quase 100 quilômetros duplicados em um único período, além da implantação de cerca de 133 viadutos, trincheiras e passarelas ao longo do lote”, descreve.
Algumas intervenções poderão ser antecipadas por iniciativa de municípios, como é o caso da trincheira do bairro Cascavel Velho, em Cascavel. O projeto foi apresentado pela prefeitura, analisado pela concessionária e aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que autorizou a execução.
Segundo Caldas, eventuais compensações à concessionária serão definidas pela ANTT e podem ocorrer em qualquer ponto do Lote 6, não necessariamente no município onde a obra foi antecipada.
A EPR também avança na implantação do pedágio eletrônico, que substituirá praças físicas em trechos onde antes não havia cobrança. O sistema fará a leitura por tag ou placa do veículo. Usuários sem tag deverão efetuar o pagamento por aplicativo, site, totens de autoatendimento ou pontos físicos credenciados. A concessionária recomenda o cadastro prévio para que o motorista seja avisado em caso de pendência e evite infrações por evasão de pedágio.
Enquanto as grandes obras não começam, a concessionária afirma que seguirá priorizando manutenção, sinalização e atendimento aos usuários. “Ainda temos muita coisa para acontecer, muitas obras e melhorias. Nosso compromisso é trazer mais segurança e preservar vidas”, destaca Silvio Caldas.
O Lote 6 do pedágio integra o novo Sistema Integrado de Rodovias do Paraná e corresponde ao maior pacote de concessão rodoviária do Estado em extensão. Ele reúne, em um único contrato, rodovias federais e estaduais estratégicas para a logística paranaense, conectando a fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina, em Foz do Iguaçu, até a região Central do Estado, além de incluir, pela primeira vez, o Sudoeste no modelo de concessões. Ao todo, o lote soma 662 quilômetros de estradas, abrangendo trechos das BRs 277 e 163 e das PRs 158, 180, 182, 280 e 483, atravessando dezenas de municípios do Oeste, Centro-Sul e Sudoeste.
Com a concessão do Lote 6, o Paraná passou a ter todo o eixo da BR-277 sob gestão privada, já que os demais trechos da rodovia, na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral, foram incluídos em lotes anteriores. O projeto prevê cerca de R$ 20 bilhões em investimentos ao longo do contrato, sendo a maior parte destinada a obras estruturais, como duplicações, contornos urbanos, viadutos e passarelas, além de recursos voltados à manutenção permanente da malha viária.
As praças de pedágio do Lote 6 estão distribuídas ao longo dos principais corredores de tráfego, especialmente na BR-277 e na BR-163, posicionadas entre os grandes polos regionais para, segundo o governo do Paraná, equilibrar a cobrança tarifária com o uso efetivo das rodovias. O modelo adotado combina praças físicas e, em alguns trechos, a futura implantação do pedágio eletrônico, sem cancelas, no qual a cobrança será feita por meio de tag ou leitura de placas. A tarifa deve financiar tanto as obras de ampliação da capacidade das rodovias quanto os serviços de atendimento aos usuários, segurança viária e conservação contínua das estradas concedidas.
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