
A história de Cascavel é um retrato vivo da transformação de uma pequena vila de pioneiros em uma das cidades mais desenvolvidas do país. Apesar da polêmica e discussão sobre sua verdadeira idade e emancipação política, Cascavel completa nesta sexta-feira (14), 74 anos, mas ela foi desmembrada de Foz do Iguaçu somente em 1952 e em dezembro de 1953, tomou posse o primeiro prefeito, José Neves Formighieri, e os vereadores que inauguraram a administração municipal. De lá para cá, a cidade se reinventou em múltiplas dimensões — econômicas, sociais e urbanas — e consolidou-se como referência nacional em qualidade de vida, gestão pública e agronegócio.
Após a independência do Brasil, o governo passou a reforçar sua presença na região, criando a Colônia Militar de Foz do Iguaçu para garantir a soberania sobre o território.
O desenvolvimento econômico começou a despontar apenas no início do século 20, com a chegada dos primeiros colonos e quem cultivava a erva-mate, seguidos pelos madeireiros. A formação do povoado que daria origem à cidade ocorreu por volta de 1928, quando tropeiros e comerciantes se estabeleceram em uma encruzilhada de estradas, ponto de passagem para quem seguia rumo a outros municípios e regiões.
Cascavel foi gradualmente conquistando status administrativo: tornou-se distrito policial em 1934, foi reconhecida oficialmente como vila em 1936 e, dois anos depois, elevada à condição de distrito administrativo. A verdadeira virada ocorreu com a Lei Estadual nº 790, sancionada em 14 de dezembro de 1952, que emancipou Cascavel e Toledo.
O dilema sobre o aniversário da cidade surgiu décadas depois. Em 2010, uma lei municipal (Lei nº 5.689/2010) fixou 14 de novembro como data oficial das comemorações — em alusão à data de criação do município, e não da instalação política.
Quando Cascavel conquistou sua independência administrativa, ainda era um povoado em formação, com ruas de terra e uma economia baseada no comércio local, agricultura de subsistência e extração de madeira. Estimativas do IBGE indicam que a população era pequena, formada majoritariamente por famílias de imigrantes e trabalhadores vindos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os primeiros anos foram de grandes desafios: falta de infraestrutura, ausência de energia elétrica, escolas improvisadas e estradas precárias. Ainda assim, a cidade começou a se estruturar, impulsionada pelo espírito empreendedor de seus moradores e pelo potencial econômico das terras férteis.
Setenta e quatro anos depois, Cascavel é um dos polos urbanos mais dinâmicos do Sul do Brasil. Segundo estimativa do IBGE (2025), o município possui 368.195 habitantes, um crescimento de 5,8% em relação ao Censo de 2022. “Hoje Cascavel é uma referência não apenas para a região e o estado, mas para o Brasil” reforça o economista Rui São Pedro.
Planejada e bem estruturada, a cidade é reconhecida nacionalmente pela qualidade de vida, mobilidade urbana e segurança.
Em 2024, Cascavel subiu 37 posições no Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), consolidando-se entre as melhores do país — 6ª colocada entre as 100 maiores cidades brasileiras. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,782, classificado como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Ruas largas, bairros planejados e investimentos contínuos em educação, saúde, lazer e sustentabilidade transformaram a cidade em modelo de gestão pública.
Outro pilar de destaque é a saúde, pública e privada. Cascavel é hoje referência médica e hospitalar em todo o Oeste do Paraná, estados do Sul e do Centro-Oeste, com hospitais públicos e privados de alta complexidade. O Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop), vinculado à Unioeste, é um dos principais centros de formação e atendimento médico da região, atendendo pacientes de centenas de municípios. “Cascavel é uma referência em atendimento médico em qualquer área, então hoje os pacientes não precisam sair da cidade ou da região para buscar especializações”, destaca o médico José de Jesus Viegas.
No campo educacional, o município abriga instituições de ensino superior públicas e privadas, além de uma rede municipal premiada por seus indicadores de alfabetização e desempenho escolar. “Cascavel é um polo educacional de referência nacional, isso é inspirador”, alerta o prefeito Renato Silva.
A economia de Cascavel é movida, sobretudo, pelo agronegócio. O município é líder estadual em área plantada de soja, com 95.500 hectares cultivados, e ocupa a 2ª posição no Paraná em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), impulsionado pela alta produtividade e pela forte atuação das cooperativas agroindustriais. Neste ano o VBP foi de mais de R$ 3,6 bilhões. “Mais do que produzir, produzimos com zelo, com cuidado ao meio ambiente e alimentamos o mundo. O agronegócio brasileiro, com o auxílio potencial de Cascavel, alimenta um bilhão de pessoas pelo mundo”, lembra o diretor-presidente da maior cooperativa do município e uma das maiores do mundo, a Coopavel, Dilvo Grolli.
Isso porque, além da soja, Cascavel destaca-se na produção de milho, aves e suínos, consolidando-se como um dos maiores produtores de proteína animal do Brasil. O setor agroindustrial, aliado a um parque industrial diversificado — com empresas dos ramos metalúrgico, alimentício e de serviços —, sustenta uma economia sólida e em expansão.
Com base nesses indicadores, Cascavel figura entre as 25 melhores cidades brasileiras para negócios, de acordo com rankings nacionais de competitividade municipal. “A cidade, a região inovam, estão prontas para o empreendedorismo e para o crescimento, projetam um futuro promissor e organizado”, frisa o presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), Alci Rotta Junior.
Cascavel prospera pelo trabalho e pela visão de futuro. Com quase sete décadas e meia, o município combina planejamento urbano, economia diversificada e compromisso social, preservando a memória dos pioneiros que ergueram uma cidade a partir da fé, da coragem e da persistência.
“De uma encruzilhada de tropeiros em 1928 ao status atual de potência regional e nacional com quase 370 mil habitantes, Cascavel reafirma sua vocação para o progresso — uma história de determinação, desenvolvimento e identidade que continua a ser escrita todos os dias”, lembra o sociólogo Gustavo Alves.
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