
Cambará recebeu, na quarta-feira (30), o último Dia de Campo de Solos promovido pelo Sistema FAEP entre agosto e setembro. O encontro reuniu 73 produtores rurais, técnicos e estudantes no Sítio São Manuel e na Fazenda Santa Mônica.
A programação abordou estruturas de conservação do solo, consórcio de plantas, avaliação visual da qualidade do solo e uso de plantas de cobertura.
Ao longo de dois meses, o Sistema FAEP realizou cinco encontros. As atividades foram realizadas em Toledo, em 5 de agosto; Umuarama, em 2 de setembro; Cruzeiro do Sul, em 16 de setembro; Irati, em 24 de setembro; e Cambará, em 30 de setembro.
“Realizar essa série de eventos reforça o compromisso do Sistema FAEP em disseminar o conhecimento diretamente no campo. Ao capacitar os produtores para adotarem o manejo correto e técnicas de conservação do solo, fortalecemos a agricultura paranaense diante dos desafios climáticos”, afirmou Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
No Norte Pioneiro do Paraná, as altas temperaturas aceleram a decomposição da matéria orgânica que cobre o solo. Com a redução dessa cobertura, a terra fica mais exposta, perde umidade e aumenta a vulnerabilidade para o próximo plantio.
Uma das alternativas apresentadas durante o evento foi o consórcio entre milho e braquiária. Segundo Cezar Francisco Araujo Junior, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), a técnica pode aumentar a produção de palhada e manter o solo protegido por mais tempo.
“O consórcio da cultura do milho com a braquiária é uma alternativa para gerar uma quantidade adequada de palhada. A braquiária pode ser semeada na entrelinha do milho ou aplicada na superfície”, explicou.
O pesquisador também apresentou resultados de um experimento realizado em uma propriedade rural de Bela Vista do Paraíso. Com o consórcio de milho e braquiária, a produtividade do milho passou de 132 para 139 sacas por hectare neste ano.
O controle da erosão também esteve entre os temas apresentados no Dia de Campo. A pesquisadora Graziela Moraes de Cesare Barbosa, do IDR-Paraná, mostrou resultados de projetos realizados em propriedades rurais e destacou práticas para reduzir a perda de solo e água.
“O uso eficiente dos terraços, por exemplo, contribui para que num evento de chuva extrema seja possível controlar o processo erosivo. Assim, haverá redução da perda de solo, de água e principalmente dos nutrientes colocados para suprir as necessidades da planta”, afirmou.
Para Aristeu Sakamoto, presidente do Sindicato Rural de Cambará, o evento permitiu aprofundar conhecimentos que alguns produtores já aplicam nas propriedades.
“Alguns produtores já aplicam as técnicas demonstradas, mas, agora, têm um conhecimento mais aprofundado e vão poder aprimorá-las no dia a dia”, afirmou.
Fernando Rodrigues Ferreira, agricultor e proprietário da Fazenda Santa Mônica, destacou os conteúdos relacionados ao manejo do solo nas lavouras de soja e milho.
“Tivemos a oportunidade de aprender sobre temas de física e química do solo, considerando as características aqui do Norte do Paraná. Vimos como tirar o melhor proveito desse tipo de solo”, afirmou.
Produtor rural, engenheiro agrônomo e proprietário do Sítio São Manuel, José Cenizo também avaliou que as técnicas apresentadas podem ser adaptadas às propriedades da região.
“Vimos algumas práticas que reforçam que estamos no caminho certo no manejo de solo, enquanto outras mostram o que podemos fazer de melhor. Sempre tem alguém fazendo algo diferente e obtendo bons resultados, então é nossa obrigação aprender e trazer isso para dentro da nossa propriedade”, disse.
Segundo Cenizo, o encontro também levou à decisão de adotar novas práticas na propriedade para buscar redução de custos e maior eficiência.